Joedson Alves/Efe
Joedson Alves/Efe

Estados alteram calendário para dar início à vacinação de professores e policiais

Em São Paulo, Pará, Amazonas, Goiás e Espírito Santo, ao menos uma dessas duas categorias profissionais já consta do planejamento da imunização. Rio também anunciou nesta terça que vai imunizar categorias em abril

Marianna Gualter, especial para o Estadão

30 de março de 2021 | 09h22
Atualizado 30 de março de 2021 | 18h31

Seis Estados realizaram ajustes nos planejamentos da vacinação contra o novo coronavírus para adiantar a vacinação de professores e profissionais da segurança pública. Em São Paulo, o anúncio por parte do governador João Doria (PSDB) ocorreu semana passada e a aplicação das doses nesses públicos está prevista para começar em abril. Pará, Amazonas, Goiás e Espírito Santo já tomaram decisões similares. Nesta terça-feira, 30, o governo do Rio também anunciou que vai imunizar policiais, bombeiros, guardas municipais e docentes partir do mês que vem.

Há cerca de uma semana, o Pará começou a vacinar policiais militares e civis, agentes de trânsito, militares do Corpo de Bombeiros e outros servidores ligados à segurança pública. Cerca de oito mil doses já foram aplicadas. 

No domingo, 28, o Amazonas também iniciou a imunização desses profissionais, após decisão da Justiça. A Defensoria Pública tentou barrar a imunização das categorias, mas não obteve sucesso. Em nota, a secretaria de Segurança defendeu que só os policiais na linha de frente serão vacinados, e não os que fazem teletrabalho ou serviço administrativo.

A expectativa é distribuir cerca de 5 mil doses na primeira semana. Com 9,87% dos habitantes imunizados com ao menos a 1ª dose até o início desta semana, é o Estado onde mais vacinas já foram utilizadas em números proporcionais à população.

Em Goiás, desde a segunda-feira, 29, a categoria está contemplada. O planejamento envolve trabalhadores da ativa e utiliza como critério a ordem decrescente de idade. O efetivo policial goiano apresenta taxa de infecção quase três vezes maior que a da população geral, conforme dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública local (SSP-GO), superior a 18%. 

No Sudeste, São Paulo e Espírito Santo anunciaram datas para o início da vacinação de ambas as categorias ainda na 1ª quinzena de abril. Em São Paulo, a imunização de profissionais da segurança pública começará no dia 5 e a dos profissionais de educação na semana seguinte, no dia 12. No Espírito Santo, os grupos serão vacinados a partir do dia 15.

No Rio, em 12 de abril começa a vacinação para agentes públicos de segurança e salvamento, como policiais militares e civis, bombeiros, servidores do Departamento Geral de Ações Socioeducativas, guardas municipais, integrantes da Defesa Civil municipal e agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. A imunização dos idosos continua paralelamente.

Profissionais de Educação devem começar a ser imunizados na 2ª quinzena de abril, prevê o governo. “As forças de segurança, além de não terem parado em momento algum, há uma preocupação enorme de elas acabarem sendo vetores de transmissão”, afirmou o governador Cláudio Castro (PSC), em coletiva nesta terça. 

As medidas estão dentro do previsto pelo Plano Nacional de Imunização (PNI), na visão do diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri. Segundo ele, apesar de orientar que as categorias profissionais sejam vacinadas somente após a imunização de idosos e pessoas com comorbidades, o Plano prevê autonomia de Estados e municípios para realizar alterações necessárias adequadas à realidade local. "Em geral, a regra básica é o que o Ministério da Saúde propõe e pequenos ajustes podem eventualmente acontecer", afirma. 

O epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia, critica a falta de uma coordenação efetiva na vacinação. "Lamentavelmente, o processo de vacinação tem sido assim no Brasil, confuso e sem qualquer padronização", afirma ele, que vê motivação política na escolha do Amazonas. 

Mobilizações em outros Estados

Ao longo da última semana, os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, Fátima Bezerra (PT), do Rio Grande do Norte, e Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, destacaram a importância de incluir professores no calendário de vacinação. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que pretende incluir na próxima etapa de imunização cerca de 50 mil trabalhadores da educação.

Em Roraima, o governo estadual vem articulando medidas com o Ministério da Saúde para garantir a vacinação dos profissionais da segurança pública até o final de abril. No Piauí, no dia 31 deste mês, a pauta será tema de uma reunião entre representantes das Secretarias de Saúde Municipais e Estadual. / COLABORARAM FABIO GRELLET e LIEGE ALBUQUERQUE, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

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