Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Ao menos 10 Estados enfrentam problemas para atualizar casos de covid-19

Instabilidade teve início há três semanas, quando Ministério da Saúde fez mudanças na plataforma E-SUS Notifica, onde são registrados os testes positivos de infecção pelo coronavírus

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2021 | 18h45

Pelo menos dez Estados estão enfrentando problemas para atualizar e divulgar estatísticas sobre a pandemia de covid-19. A instabilidade teve início há três semanas, quando o Ministério da Saúde fez mudanças na plataforma E-SUS Notifica, onde são registrados os testes positivos de infecção pelo coronavírus.

Secretarias estaduais de Saúde informaram ao consórcio de veículos de imprensa, formado por EstadãoTV Globo, g1, GloboNews, O Globo, Extra, Folha de S.Paulo e UOL, que tiveram de refazer os scripts que automatizam a consolidação dos dados a cada dia. O E-SUS Notifica é alimentado por municípios e profissionais de unidades de saúde em todo o país. Diariamente, as secretarias extraem dessa base de dados um “retrato” da pandemia em cada Estado.

Mesmo Estados que já adaptaram seus sistemas se queixam de lentidão na extração dos dados. Outros afirmaram que já voltaram à normalidade. Alguns, como Pernambuco,  Tocantins e Goiás, informaram que não houve registro de problemas significativos. Cinco secretarias não responderam às consultas do consórcio.

A consequência direta da instabilidade é a impossibilidade de saber ao certo se os testes positivos de covid estão diminuindo ou aumentando, e em que medida. E isso em um momento em que há apreensão sobre a propagação da variante delta do vírus, que é mais contagiosa e provocou agravamento significativo da crise em outros países.

Os problemas relatados pelos Estados não afetam as estatísticas sobre óbitos ou vacinação, já que essas informações são inseridas por outros sistemas.

O Ceará é um dos principais exemplos da lista de inconsistências. No dia 20 de setembro, a contabilidade de casos diários do Estado ficou negativa: houve redução de cerca de 12 mil ocorrências em relação ao dia anterior. Do início do mês até o dia 19, a média de novos casos estava em cerca de 230 por dia. Dois outros resultados atípicos foram registrados nos dias 27 e 30, quando entraram na contabilidade 5.638 e 10.647 testes positivos, respectivamente. A Secretaria de Saúde do Ceará afirmou ter sofrido com “lentidão, indisponibilidade e falta de clareza na documentação técnica” sobre as mudanças promovidas pelo ministério.

Em Minas Gerais, a secretaria informou que “a lentidão acentuada” dos sistemas do ministério “demandou das equipes mais tempo para o levantamento de dados''. Segundo o órgão, a plataforma ainda apresenta lentidão.

Em São Paulo, a secretaria afirmou que “estatísticas posteriores à alteração deixaram de incluir parte dos casos leves de covid-19 notificados no decorrer da pandemia, e estatísticas retroativas não foram migradas para novos campos inseridos na base de dados”.

A secretaria da Saúde do Rio de Janeiro não divulgou balanço em um dia e divulgou com atraso em outro. Além disso, cerca de 92 mil casos do início da pandemia e que não eram computados foram incluídos de uma vez só na contabilidade.

Em Santa Catarina, foram incluídos 20.488 novos casos e excluídos 2.701. Nem todos os casos eram retroativos, e houve mudança nos números de casos ativos, que quase dobraram.

O Rio Grande do Sul informou que “as alterações feitas (pelo Ministério da Saúde) demandaram alguns ajustes nas ferramentas automatizadas para a tabulação de dados do sistema”, mas ressaltou que as adequações já foram concluídas e que o fluxo das notificações dos casos encontra-se normalizado.

O Ministério da Saúde foi procurado pelo consórcio de veículos de imprensa, e divulgou a seguinte nota: “O sistema e-SUS está estável e não há relatos de novas ocorrências”.

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