Daniel Teixeira/Estadão - 20/12/2021
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Brasil registra cinco casos da subvariante BA.2 da Ômicron

Conforme informou o Ministério da Saúde, amostras são de São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro; linhagem rapidamente se tornou dominante na Dinamarca e parece ser mais contagiosa que a BA.1, primeira identificada

Leon Ferrari, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2022 | 11h07
Atualizado 05 de fevereiro de 2022 | 13h52

O Ministério da Saúde informou ter sido notificado de cinco casos da subvariante BA.2 da Ômicron no Brasil. Dois em São Paulo , dois no Rio de Janeiro e um em Santa Catarina. A linhagem que rapidamente se tornou dominante na Dinamarca, pode ser mais contagiosa do que a mais comum, a BA.1.

A pasta disse, em nota, que o subtipo “não tem impacto no diagnóstico laboratorial e eficácia das vacinas”. “Até o momento, não existem evidências relacionadas à nova linhagem que demonstrem mudanças na transmissibilidade, quadro clínico, gravidade ou resposta vacinal”, destacou.

Relatório divulgado pela Rede Genômica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na sexta-feira, 4, mostrou que a Ômicron domina completamente o cenário epidemiológico da covid-19 no Brasil. De acordo com a publicação, enquanto em dezembro a variante Ômicron representou 39,4% de todos os genomas sequenciados, em janeiro de 2022 esse índice saltou para 95,9%, sendo encontrada em todas as regiões do País.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que foram identificados dois casos do subtipo BA.2 da variante Ômicron na última semana. As amostras foram verificadas em Sorocaba e em Guarulhos. A pasta disse que os casos são leves e os pacientes não aprensentam histórico de viagem. 

No Rio, desde 19 de dezembro de 2021, foram identificados por sequenciamento genômico 806 casos da variante Ômicron. Desses, dois foram causados pela subvariante. “Os casos foram encaminhados e estão em investigação pelas Secretarias Municipais de Saúde”, informou, em nota.

A secretaria fluminense ainda destacou que ainda não há estudo que “aponte as subvariantes da Ômicron como mais transmissíveis ou agressivas”. 

A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina informou que o infectado é um homem de 42 anos, residente de Florianópolis. Ele apresentou sintomas de síndrome gripal, mas não chegou a ser hospitalizado. Possivelmente, afirmou, trata-se de caso de reinfecção. 

Após a confirmação, a pasta disse que comunicou imediatamente a administração da capital, que, por sua vez, comunicou que o paciente cumpriu o período de isolamento preconizado e que está realizando monitoramento de contatos próximos.

As pastas estaduais da saúde reforçaram a importância da população completar o esquema vacinal contra a covid, além da manutenção de medidas preventivas não farmacológicas, como uso de máscara e o distanciamento social.

Subvariante BA.2

A linhagem BA.2 da Ômicron é uma mutação do vírus Sars-Cov-2, causador da covid-19, detectada primeiramente nas Filipinas, em novembro do ano passado. Ela tem cerca de 20 mutações diferentes com relação à BA.1, primeira identificada, e já foi detectada em mais de 50 países, mas chamou atenção particularmente na Dinamarca. 

Isso porque, em território dinamarquês, desde a segunda semana de janeiro, o subtipo se tornou prevalente. Estudos preliminares do do Statens Serum Institut (SSI), principal autoridade de doenças infecciosas da Dinamarca, indicaram que a linhagem pode ser 1,5 vezes mais infecciosa que a BA.1. Porém, a análise inicial do instituto não identificou diferença no risco de internação.

Diferente da variante Ômicron com a Delta, o subtipo não apresenta mutações na estrutura genética que a distinguem de maneira relevante da linhagem identificada na África do Sul. Por isso, é considerada uma “irmã” da BA.1 e não é classificada até o momento como uma nova variante de preocupação.

Para especialistas ouvidos pelo Estadão, a aparição da subvariante e a sua prevalência mostra um comportamento esperado dos vírus, que sofrem contínuas mutações. Isso aconteceu anteriormente com outras variantes (a Delta tem mais de 120 linhagens identificadas pelos cientistas, por exemplo) e vai continuar acontecendo com a Ômicron. No entanto, não significa necessariamente que todos os subtipos vão causar um impacto na saúde pública, como causou a Gama, a Delta e, agora, a Ômicron.

 

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