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Estados Unidos confirmam primeiro caso de Ebola no país

Paciente é um homem que foi infectado na Libéria e viajou para o Texas, onde foi hospitalizado

Cláudia Trevisan, Correspondente - O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2014 | 18h04

Atualizada às 20h37

WASHINGTON - Autoridades de saúde pública dos Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira, 30, o primeiro caso de paciente com Ebola no país. A pessoa contaminada viajou no dia 20 da Libéria, uma das nações mais afetadas pelo surto da doença que atinge a África Ocidental. Os sintomas apareceram dias mais tarde e a presença do vírus foi confirmada por exame de sangue, cujo resultado foi revelado nesta terça.

O diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDCs), Tom Frieden, disse que o caso é o primeiro a ser diagnosticado fora da África. Ele não revelou se o paciente é um cidadão americano, mas afirmou que ele visitava parentes que vivem em Dallas, no Texas.


Desde domingo, o paciente está em isolamento em um hospital da cidade. Frieden ressaltou que todas as pessoas que tiveram contato com ele depois da manifestação de sintomas serão monitoradas por um período de 21 dias. Se apresentarem febre, serão isoladas.

Transmissão. O doente diagnosticado nesta terça começou a se sentir mal no dia 24 de setembro, mas só foi colocado em isolamento quatro dias mais tarde. Frieden tentou acalmar a população, ressaltando que o vírus só é transmitido por alguém que esteja doente e com febre. “Nós vamos controlar essa importação de Ebola, para que ela não se espalhe”, afirmou. Segundo ele, não há risco para os demais passageiros que estavam no voo com o paciente.

Mas Frieden reconheceu que não é possível impedir a entrada do vírus nos Estados Unidos, enquanto a doença continuar a se espalhar na África Ocidental e houver pessoas viajando para a região. Entre as medidas adotadas pelo governo americano para tentar conter a contaminação, ele citou a cooperação com autoridades dos aeroportos dos países afetados para checar se os passageiros apresentam febre. Em caso positivo, eles são impedidos de embarcar. 

“Ebola é uma doença terrível”, declarou Frieden. “Mas não há risco de contaminação no contato com pessoas que se recuperaram da doença ou que foram expostas ao vírus e não apresentaram sintomas.”

Prevenção e tratamento. Segundo ele, é possível reduzir a possibilidade de propagação da doença com o uso de máscaras e a higienização das mãos. Ainda que não seja altamente contagioso, o Ebola apresenta um elevado índice de mortalidade e ainda não tem cura. Existem medicamentos experimentais, que foram usados com sucesso em dois pacientes americanos diagnosticados na África e tratados nos Estados Unidos. 

A estimativa das autoridades africanas é de que pelo menos 6.300 pessoas foram contaminadas. Os países mais afetados são Guiné, Serra Leoa, Libéria, Nigéria e Senegal.

Na semana passada, o presidente Barack Obama disse em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU) que a epidemia de Ebola pode transformar-se em uma crise de segurança regional e global, se não for contida. Em reunião sobre o assunto com líderes de outros países e representantes de organizações multilaterais, ressaltou que a resposta mundial à doença é lenta e insuficiente. “Se a epidemia não for barrada, essa doença pode causar uma catástrofe humanitária na região. E em uma era na qual crises regionais podem rapidamente se tornar ameaças globais, conter o Ebola é do interesse de todos nós”, declarou. 

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