Estados Unidos querem proibir gordura trans nos alimentos

A substância, mais comum em produtos industrializados, também está em carnes vermelhas e laticínios

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2013 | 20h43

Um anúncio feito ontem pela FDA (Food and Drugs Administration), agência americana que regulamenta medicamentos e alimentos nos EUA, poderá levar à proibição da gordura trans no País. Presente em produtos industrializados como bolos e pães, o óleo hidrogenado, origem da gordura trans, foi classificado pelo órgão como "não seguro" para o uso na fabricação de alimentos.

Segundo a agência, a constatação foi feita com base em evidências científicas que mostram que o consumo de gordura trans aumenta o risco de doenças cardíacas. Antes de declarar sua posição final, a FDA ouvirá a indústria e consumidores. A consulta será feita em 60 dias. Se o composto for declarado, em definitivo, como inseguro, passará a ser proibido.

Segundo o órgão, uma futura redução da gordura trans na alimentação dos americanos poderia evitar 7 mil mortes e 20 mil enfartes por ano naquele país.

Procurada, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse que não comentaria o anúncio da FDA e informou que não há proposta para proibir o composto no Brasil. Disse, no entanto, que o Ministério da Saúde vem firmando uma série de acordos com a indústria alimentícia para a redução do teor de substâncias prejudiciais, como sódio, açúcar e alguns tipos de gordura. Tais acordos, porém, não têm força de lei. A adesão é facultativa.

O órgão brasileiro disse ainda que desde 2006 os fabricantes são obrigados a indicar na embalagem dos produtos o porcentual de gordura trans.

Impacto positivo. Segundo Raul Dias dos Santos, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor da Unidade de Lípides do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas), diversos estudos já mostraram que a gordura trans é a que traz mais prejuízos à saúde e sua proibição seria positiva. Ele afirma, porém, que é preciso ter cautela em relação às substâncias que a substituiriam.

"Estudos já mostraram que a trans aumenta o colesterol ruim e diminui o bom, provoca inflamação do sangue e favorece o acúmulo de gordura na região abdominal. O problema é o que vai ser colocado no lugar dela. Geralmente são gorduras saturadas, que também aumentam os níveis de colesterol ruim", disse Santos.

Em sua forma natural, a gordura trans é encontrada na carne vermelha e em queijos, em quantidade bem inferior. A FDA informou que esses alimentos não seriam afetados.

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