Estímulo elétrico do cérebro pode melhorar talento com matemática

Estudo envolveu uso de corrente elétrica extremamente baixa, em 15 voluntários

REUTERS, REUTERS

04 Novembro 2010 | 14h56

Estimular o cérebro com uma corrente elétrica muito baixa pode aumentar o talento de uma pessoa para a matemática por até seis meses, disseram neurocientistas britânicos nesta quinta-feira, 4.

 

Pesquisadores da Universidade Oxford estudaram 15 voluntários e demonstraram, pela primeira vez, que o estímulo elétrico do cérebro melhora a performance em uma série de avaliações de matemática, efeito que se manteve até um semestre mais tarde.

 

"Não estamos aconselhando as pessoas a sair por aí tomando choques elétricos, mas estamos muito animados com o potencial de nossa descoberta e buscando entender as mudanças subjacentes no cérebro", disse o líder do estudo, Cohen Kadosh.

 

No mês passado, cientistas haviam dito que o uso de eletrodos para estimular áreas no interior do cérebro poderia ajudar pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo grave, que não reagem a outros tratamentos.

 

Para o trabalho atual, 15 voluntários de 20 e 21 anos aprenderam símbolos que representam diferentes números, e então foram cronometrados enquanto resolviam problemas e enigmas matemáticos envolvendo a manipulação desses símbolos.

 

As aulas foram dadas ao longo de seis dias e a cada dia os voluntários recebiam ou um placebo ou um estímulo de um miliampère nos lobos parietais do cérebro - com a corrente fluindo do direito para o esquerdo, ou vice-versa. O estímulo era aplicado por cerca de 20 minutos.

 

"Dá para sentir um pouco, mas apenas nos primeiros 15 a 30 segundos", disse ele. "E não é doloroso. É como uma coceira leve no crânio".

 

Os resultados, publicados na revista Current Biology, mostra que os voluntários que receberam a estimulação elétrica do lobo direito para o esquerdo tiveram o melhor desempenho.

 

Esse grupo voltou a ser testado seis meses após o treinamento, e os cientistas descobriram que o alto nível de performance se mantinha.

 

Christopher Chambers, psicólogo da Universidade de Cardiff, que não tomou parte no estudo, disse que os resultados de Oxford são "intrigantes" e podem ter amplas implicações.

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