Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

'Estou disponível à população', diz farmacêutica 

Simone Esser conta que precisou se adaptar a uma rotina totalmente diferente por causa da covid-19

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2020 | 04h59

Simone Esser, de 38 anos, gerente farmacêutica da Drogaria São Paulo. Moradora de Osasco, região metropolitana de São Paulo. Casada, dois filhos.

Em um curto período, tivemos de nos adaptar a uma rotina totalmente diferente, pois estamos na linha de frente desta pandemia. Nossa maior preocupação é com a segurança: a nossa segurança e dos nossos clientes. Somos orientados pela empresa, seguindo as indicações dos órgãos de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil. Como gerente farmacêutica, oriento as equipes sobre o uso e descarte dos materiais. 

Também oriento a lavar as mãos com maior frequência, usar o álcool em gel a cada atendimento, reforçar a limpeza e higienização dos mobiliários e do espaço da loja com mais frequência do que antes. A loja é de grande porte, com equipe de 19 funcionários, sendo quatro farmacêuticos.

Março foi um mês bem atípico. Quando comparamos o fluxo de clientes em março de 2019 e este março (de 2020), nós tivemos um aumento significativo. O fluxo de clientes cresceu. A maior atenção foi orientar quanto aos riscos da automedicação. Muitas pessoas queriam comprar e usar todos os medicamentos e produtos que viam na mídia ou redes sociais contra o coronavírus. Também aumentou o número de clientes querendo fazer estoque de medicamentos de uso contínuo, por exemplo. 

Com a quarentena, foi a vez das seções de medicamentos isentos de prescrição médica (os OTCs, sigla em inglês) serem muito procuradas, principalmente, vitamina C, analgésicos e antigripais. Os atendimentos por telefone aumentaram bastante. Antes do surto, quase não recebíamos esse tipo de ligação.

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Nossa área de medicina do trabalho está em contato diário com os funcionários para orientações e respostas às dúvidas
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Simone Esser, farmacêutica

Temos uma ferramenta de comunicação interna atualizada com boletins do dr. Drauzio Varella, parceiro da empresa pelo Programa de Relacionamento Viva Saúde. Isso é muito importante.

Na minha vida pessoal, as mudanças são bem sentidas, também. Nós, que somos brasileiros, gostamos de abraçar, de beijar. Tenho dois filhos, o Gustavo, de 7 anos, e a Letícia, de 2 anos. Antes da pandemia, eu era recebida com abraços e beijos. Hoje, quando chego em casa, já tenho que retirar os sapatos e ir direto para o banho. Só depois disso interajo com a minha família. 

É um misto de sensações estar na linha de frente. Claro que o medo vem em alguns momentos, mas isso fica pequeno perto do sentimento de responsabilidade e do amor à profissão. Eu me sinto uma heroína por estar disponível para a população, podendo trazer um pouco de calma neste momento tão tenso.

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