:WERTHER SANTANA/ESTADÃO 25/05/ 2021
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Estratégias de contenção da variante Delta no Brasil diferem entre os Estados

Ações para conter a propagação da doença valem para todas as variantes e abrangem estratégias já conhecidas, como isolamento e testagem. Alguns locais optam por barreiras sanitárias e monitoramento genômico

Marianna Gualter, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2021 | 17h09

Na maior parte do Brasil, as ações para contenção e prevenção da covid-19 são universais para todas as variantes e abrangem estratégias de isolamento social, testagem, incentivo à vacinação e aos protocolos de proteção, como o uso de máscaras. Em alguns locais, porém, há também a realização de barreiras sanitárias, controladas, em sua maioria, por municípios e reforço nas ações de monitoramento genômico. 

No Maranhão, por exemplo, as barreiras estão localizadas nas principais portas de entrada da capital São Luís e de Imperatriz, segunda maior cidade do Estado. Apesar do caso dos seis tripulantes estrangeiros contaminados com a nova cepa, o Estado não registra episódios locais confirmados da variante. 

“Desde a suspeita de uma nova variante, a  Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão manteve o rastreio dos contatos, o monitoramento, testagem e isolamento dos sintomáticos”, afirma a pasta em nota. 

Em razão da identificação da cepa e o risco iminente de transmissão local, o Ministério da Saúde antecipou o envio de 300 mil doses de vacina contra covid-19 para os municípios de São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa.

As barreiras sanitárias também estão presentes em Manaus, no Amazonas, e em alguns municípios do Espírito Santo. Além de cidades, principalmente fronteiriças, do Pará e de Roraima - os três Estados não apresentam casos da variante Delta.

Desde o início de junho, o Rio de Janeiro intensificou o monitoramento de passageiros originários da Índia que chegam aos aeroportos Internacional Tom Jobim (Galeão) e Santos Dumont. 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informa que uma equipe, em prontidão 24 horas por dia, é acionada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quando ocorre a chegada desses passageiros. 

A testagem obrigatória é feita em uma área restrita nos próprios aeroportos após autorização da Infraero. Os positivados são isolados em um hotel no município do Rio e passam por testes PCR. As amostras são então encaminhadas para  sequenciamento genômico e identificação da variante. Até quinta-feira, 24, 30 exames foram realizados, todos com resultados negativos para covid-19.

Na cidade de São Paulo, a Secretaria Municipal de Saúde implementou barreiras em terminais rodoviários e no aeroporto de Congonhas no final de maio. Há triagem de passageiros sintomáticos, com quadro de síndrome gripal, para investigação clínica e laboratorial, e recomendações de isolamento para casos suspeitos. 

Até o momento, 1.549 ônibus foram abordados e 29 sintomáticos foram avaliados, além de 820 voos monitorados com 63 sintomáticos.

 “Caso seja identificado algum caso com variante, esse paciente será encaminhado para o Hospital Geral Guaianazes para o tratamento” disse a pasta em nota. A unidade pertence ao governo estadual, que informou, através da Secretaria Estadual de Saúde que: “O Hospital Geral de Guaianases é uma das referências para covid-19 e opera com 190 leitos exclusivos para pacientes com coronavírus, podendo também receber suspeitos da variante Delta, se necessário”. 

Na última quinta-feira, 24, a unidade registrou 90% de taxa de ocupação dos leitos de UTI e 65% de enfermaria. Atualmente, não há casos registrados da variante Delta no Estado. 

As ações de vigilância genômica do coronavírus têm sido ampliadas em Minas Gerais, segundo a secretaria estadual responsável. Por meio de nota, o órgão informou que o Estado realiza amostragem de casos em diferentes municípios para investigação laboratorial. 

O mesmo ocorre no Paraná. De acordo com a pasta estadual de saúde, o trabalho tem relevância epidemiológica e não de diagnóstico ou tratamento de casos de infecção pelo coronavírus.

“Precisamos trabalhar de forma coordenada, coisa que nunca aconteceu com o governo brasileiro”, aponta o pesquisador Rodrigo Stabeli. “Fazer barreiras sanitárias isoladas, lockdown isolado e medida restritiva isolada não resolve o problema. Já tem 15 meses que estamos enfrentando essa pandemia fazendo a mesma coisa, o resultado sempre será o mesmo. Para ter resultados diferentes é preciso ter um planejamento diferente.” 

“Nós temos que fazer uma frente única para combater esse vírus. Se ela não vem do governo federal, que venha então da população ou do engajamento de outras casas, como o Senado ou o Supremo, que também têm trabalhado para isso”, afirma. 

A respeito da transmissão comunitária autóctone em Goiânia, Stabeli pontua que as medidas de contenção tomadas também precisam ser coordenadas. “Não adianta estabelecer uma barreira sanitária se não sabemos quantas pessoas estão contaminadas ou se as cidades vizinhas já possuem esse tipo de contaminação.”

Por meio de nota, o município informou que a principal ação realizada para conter a variante é a vacinação da população. “Assim que chegam doses é feita uma força tarefa para a aplicação, já chegamos a vacinar mais de 22 mil pessoas em um único dia. No momento, 35% da população já recebeu a primeira dose”. 

Segundo a pasta local, há grande preocupação da cidade com a cepa. “Como ainda não há vacinas para todos, a todo momento a Secretaria Municipal de Saúde enfatiza a necessidade da manutenção das medidas sanitárias de segurança, principalmente em relação ao uso de máscara e distanciamento social”. 

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