Paul Rogers
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Estratégias para enfrentar a fila de espera do pronto-socorro

Junto com seu cartão do seguro, tenha um cartão na sua carteira ou uma lista em seu telefone com todos os medicamentos e suplementos que você toma e quaisquer alergias ou problemas crônicos de saúde que tenha

Jane E. Brody, The New York Times

02 Junho 2017 | 09h32

NOVA YORK - São muitas as reclamações sobre cuidados de emergência, com histórias de problemas frequentemente contadas por pacientes e parentes/amigos que os acompanham ao pronto-socorro. Às vezes, essas queixas são válidas, como quando um paciente com dor abdominal espera para ser atendido durante horas até que seu apêndice se rompa, mas o mais frequente é que haja uma falta de compreensão de seu funcionamento e de como os próprios pacientes podem ser úteis.

Algumas das queixas que já ouvi: "Eu fiquei lá por quatro horas antes de ver um médico." "Enfermeiras, médicos e assistentes passavam correndo, mas ninguém prestava atenção em mim." "Não consegui uma alma que me trouxesse um copo de água." "Fiquei em observação durante horas, mas ninguém me dizia se ou quando eu poderia ser internado."

E se você precisa ser internado, prepare-se para esperar mais um pouco, até que haja uma vaga disponível na unidade apropriada.

Todos os anos, cerca de 120 milhões de americanos vão para um pronto-socorro, número que aumenta anualmente, mesmo com muitos hospitais fechando seus PSs (hoje existem 22 por cento menos do que 20 anos atrás). De acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças, a média de espera para ver um médico é de 55 minutos, mas ela pode facilmente passar de várias horas em uma noite movimentada ou no fim de semana.

É preciso saber que as verdadeiras emergências médicas - pacientes com problemas potencialmente fatais, como ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, insuficiência respiratória ou sangramento descontrolado - têm precedência sobre osso quebrado, dor de cabeça ou dor de estômago.

A triagem irá avaliar a gravidade do seu problema e lhe atribuir uma prioridade. Prepare-se para esperar caso sua vida não esteja por um fio e não reclame se alguém que chegou horas depois você for atendido primeiro. Como disse uma enfermeira: "Esperar é bom. Significa que não está para morrer."

Porém, se você está esperando para ser atendido e seus sintomas se agravarem ou outros aparecerem, avise a recepção. Ninguém quer gente vomitando ou desmaiando na sala de espera. Porém, há muito pouco a ganhar com o exagero dos sintomas para ser atendido antes, pois vai confundir o diagnóstico e pode ser submetido a testes desnecessários.

Também é importante saber: se houver uma emergência verdadeira, ligue para 911. A ambulância que responder irá levá-lo para o hospital mais próximo equipado para lidar com seu problema. Não siga o exemplo de dois amigos meus que foram andando até o hospital no auge de um ataque cardíaco. E não dirija nem faça alguém levá-lo. Se vier de ambulância, será avaliado e receberá um tratamento de emergência imediato, mesmo antes de chegar ao hospital. Mas, se seu problema não for tão urgente, ao chegar lá será enviado para o fim da fila.

Se um médico o mandar para o pronto-socorro, ligue antes e forneça informações importantes.

Mas pense duas vezes antes de ir se o problema não for urgente. Se seu médico não estiver disponível, males menores como gripe, dor de garganta, dor de ouvido, infecção ocular, dor nas costas ou um corte precisando de pontos são mais bem tratados em um centro de cuidados urgentes, agora comum na maioria das cidades. Hoje em dia, muitas cadeias de farmácias têm clínicas que contam com pessoal treinado capaz de tratar muitos problemas menores - embora não um corte ou ferida muito sérios - e que pode sugerir cuidados ou acompanhamento mais especializados quando necessário. (Pergunte antes sobre o custo e a cobertura do seguro.)

Além disso, alguns hospitais, incluindo a maioria dos de Connecticut, têm uma sala de emergência "a toque de caixa" para tratar pacientes com problemas menos graves e dispensá-los rapidamente.

Supondo que o pronto-socorro seja sua melhor opção, há muitas coisas que você pode fazer para tornar a visita mais eficiente e com menos ansiedade. Junto com seu cartão do seguro, tenha um cartão na sua carteira ou uma lista em seu telefone com todos os medicamentos e suplementos que você toma e quaisquer alergias ou problemas crônicos de saúde que tenha. Se disponível, faça também cópias de resultados de exames e diagnósticos.

Tente ir ao PS com alguém que possa ajudá-lo. Um amigo meu recentemente passou muitas horas lá com uma senhora que havia caído e quebrado o nariz pegando água, enchendo a bolsa de gelo, oferecendo apoio moral e, de que quebra, ainda descobriu quando ela poderia ser internada.

Ele explicou: "Era um hospital grande de Nova York, onde os computadores mantêm o controle de cada paciente. Todo mundo trabalhava duro e era bem organizado, mas não tão organizado assim. Ninguém nos disse o nome do enfermeiro ou do médico que iria cuidar dela, ou que o enfermeiro estava almoçando e que ninguém mais poderia dar a medicação para a dor".

"Algo deveria ser feito para acalmar a ansiedade da paciente e de quem está com ela. Parece-me que o bem-estar emocional não é uma de suas preocupações, quando deveria ser uma das mais importantes", continuou.

Você pode poupar muito tempo e testes desnecessários caso conheça seu histórico médico e o forneça prontamente. Se a dor de estômago é o motivo da sua visita e já teve seu apêndice e a vesícula biliar removidos, conte imediatamente. Só não culpe o médico de emergência por não conseguir diagnosticar com precisão o seu problema. Um médico de PS é como um faz-tudo, que sabe um pouco sobre muitas condições, mas muito sobre como lidar com problemas que podem se tornar rapidamente incapacitantes ou fatais.

Quando for levado a um cubículo no PS, descubra os nomes do enfermeiro e do médico responsáveis pelo seu caso, já que eles são os mais indicados para ajudá-lo, incluindo o alívio da dor, e podem ser os únicos que sabem se é seguro comer ou beber alguma coisa.

Embora seja normal ficar estressado e ansioso nessa situação, tente se acalmar com respiração profunda ou meditação. Isso pode ajudar a minimizar os sintomas e combater uma tendência à hostilidade, o que não ajudaria em nada o pessoal do atendimento, podendo até resultar em menos atenção ao seu caso, e não mais.

Quando estiver pronto para ser dispensado, certifique-se de que entendeu as instruções do tratamento e do acompanhamento que talvez precise e peça um número de telefone caso sua condição piore mais tarde.

 

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