Estresse em casa é maior do que no trabalho, diz estudo

Trânsito e chefe são dois fatores menos estressantes que os familiares, segundo 100 mil entrevistados

ANA CONCEIÇÃO, Agência Estado

18 Junho 2010 | 18h27

Estudo realizado com cerca de 100 mil pessoas que participaram do 'Mutirão do Coração', promovido no ano passado pela Secretaria da Saúde em parceria com Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, mostrou que as pessoas ficam mais estressadas dentro de casa do que no trabalho.

 

"O trânsito e o chefe são dois fatores menos estressantes do que os familiares", afirmou hoje o cardiologista Ari Timerman, diretor do serviço hospitalar do Instituto Dante Pazzanese e um dos coordenadores da iniciativa. A falta de dinheiro, por causa da crise econômica, pode ter contribuído para o resultado, revelou o médico. Dificuldades financeiras foram apontadas por 24,45% das pessoas que participaram da pesquisa.

Cerca de 23% da população pesquisada afirmou ter sofrido estresse intenso ou exagerado no lar por causa de problemas com o cônjuge, filhos e até animais de estimação. Dentro desse universo, 46,8% contaram ter vivido ao menos uma situação estressante no último ano, como a morte de algum familiar, perda de emprego, separação conjugal ou ruína financeira.

 

O estudo aponta que as mulheres sofrem mais com o estresse em casa: 28,34% delas revelaram estresse intenso ou exagerado. Entre os homens, esse índice foi de 13,07%.

O estresse intenso ou exagerado no ambiente de trabalho foi citado por um número bem menor de pessoas (15%), e mais da metade (50,95%) afirmou que não viveu situações desse tipo no trabalho. Na sociedade (clubes, bares e boates), as pessoas afirmaram que o estresse é ausente em 43,63% dos casos.

Metodologia

O estudo foi o mais amplo já realizado no País sobre os fatores que podem causar doenças cardiovasculares e o primeiro em que o estresse foi considerado e avaliado como elemento de risco para a saúde do coração. No mutirão, realizado nos municípios de São Paulo e Campinas, o estresse foi medido em vários locais, como trabalho, casa e sociedade. Também foram considerados fatores como problemas financeiros e crenças religiosas.

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