Estresse pós traumático pode ser genético, aponta estudo

Cientistas identificam gene que podem aumentar a predisposição para desenvolver o distúrbio

BBC

02 de abril de 2012 | 10h11

Um estudo divulgado por pesquisadores americanos afirma que a suscetibilidade de uma pessoa a estresse pós traumático (EPT) por ser parcialmente determinada por um gene, de acordo com a edição desta segunda-feira, 2, do Journal of Affective Disorders (Jornal dos Distúrbios Afetivos, em português).

 

Os pesquisadores analisaram o DNA de 200 pessoas pertencentes a famílias que sobreviveram ao terremoto de 1988 na Armênia, que deixou 25 mil mortos. Eles descobriram que aqueles que tinham duas variantes de um gene relacionado à produção de serotonina - substância que afeta o humor e o comportamento - têm mais chances de apresentar sintomas de EPT.

 

O estresse pós traumático é geralmente diagnosticado em pessoas que viveram experiências de trauma, como guerras, desastres naturais ou terem sido vítimas de abusos sexuais. Os sintomas incluem flashbacks, desequilíbrio emocional e a disposição em evitar situações que relembrem o trauma original.

 

O terremoto de 7 de dezembro 1988 na Armênia teve magnitude 7,1, uma força relativamente grande, capaz de arrasar cidades. De todas as 200 pessoas que participaram do estudo, 90% disseram ter visto cadáveres e 92% viram pessoas seriamente feridas. Elas também foram submetidas a testes para determinar quais sintomas do EPT apresentavam.

 

A equipe da Universidade da Califórnia analisou os DNAs e viram que os que tinham mais sintomas apresentavam as variantes genéticas TPH1 e TPH2. Armen Goenjian, psiquiatra que liderou o estudo, suspeita que esses genes produzem menos serotonina, aumentando a possibilidade de que as próximas gerações de suas famílias tenham uma maior predisposição ao EPT. "Nosso próximo passo é tentar replicar essas descobertas em uma população maior e mais heterogênea", disse.

 

Segundo ele, se pesquisas maiores confirmarem as descobertas, elas poderiam eventualmente levar a novas formas de diagnosticar o distúrbio e ao desenvolvimento de novos remédios para controlá-lo. "Uma ferramenta de diagnóstico baseadas nestes genes pode ajudar líderes militares a identificar soldados com risco de desenvolver o EPT e remanejá-los", explica Goenjian.

 

Muito cedo

 

A psicóloga Jennifer Wild, especialista no distúrbio, disse que a descoberta é significante, mas "prematura" para ganhar tanto destaque. "A ligação entre o gene e o EPT é forte, o que é promissor para servir como guia de pesquisas futuras. Mas os genes descobertos respondem por uma pequena parcela dos sintomas. Fatores psicológicos, como o histórico do trauma, tendem a antecipar o EPT com mais precisão e são um meio mais barato para identificá-lo", analisa.

 

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