Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Estudante da USP morre após ser infectado pelo coronavírus

Ele tinha 56 anos e estava internado no Hospital Universitário

Fernanda Boldrin, Renata Cafardo e Renato Vieira, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2020 | 20h05

Um aluno do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) morreu na manhã deste sábado, 28, após contrair o novo coronavírus.  O estudante, de 56 anos, estava internado no Hospital Universitário e não resistiu. Ele cursava graduação na instituição. A informação foi confirmada ao Estado pela universidade. Seguindo orientação da Prefeitura, não haverá velório.

Em nota, a universidade manifestou pesar pela morte do aluno. "A USP lamenta profundamente o ocorrido e informa que está tomando providências para identificar eventuais colegas, professores e funcionários que tiveram contato com o aluno e orientá-los como proceder. O Serviço Social/SAS e o Escritório de Acolhimento em Saúde Mental da Pró-Reitoria de Graduação estão em contato com a família do estudante para oferecer o suporte da USP nesse difícil momento".

Alunos que moram no conjunto residencial da Universidade de São Paulo (Crusp), no câmpus Butantã, têm reclamado de falta de estrutura e de condições de higiene para enfrentar a pandemia e dizem temer pela própria saúde. Por falta de internet, também dizem não saber como continuarão a assistir às aulas e a fazer provas, que passaram a ser online. 

“Nas cozinhas, não tem pia que funcione. Não tem nem fogão, nem onde lavar roupa. Na semana em que tivemos o primeiro caso de coronavírus confirmado na USP, um dos blocos ficou sem água por seis dias”, relata a estudante de Pedagogia e moradora do conjunto Carina Matheus. 

Segundo o aluno de Meteorologia Welton Silva, os problemas são antigos, mas vieram à tona com o surto da covid-19. “Com o avanço da pandemia, o que preocupa é sobretudo a questão da saúde. Se tivermos algum caso da doença aqui, acho que a coisa sai de controle”, diz Silva. 

Eles também alegam que a falta de internet os impede de continuar estudando a distância. “Parei de acompanhar as aulas porque, para isso, tenho que usar dados móveis, o que acaba consumindo muito”, conta o aluno de Ciências Sociais Friedrich Wendell, de 19 anos. “Só na semana passada foram R$ 40, e isso porque só tive uma aula e uma monitoria.”

No dia 20, os moradores do conjunto protocolaram uma carta na reitoria. “Hoje, não temos a devida infraestrutura básica para viver, sobretudo nesse quadro de isolamento e quarentena no Crusp”, escreveram. Os estudantes também se reuniram com a Superintendência de Assistência Social (SAS) da universidade na semana passada, quando foram prometidas a reforma emergencial das cozinhas e a instalação de dispositivos de álcool em gel. 

Procurada, a USP mostrou, por meio de sua assessoria de imprensa, documento enviado aos alunos no qual admite a necessidade de manutenção do conjunto. “As cozinhas coletivas do Crusp necessitam de manutenção para funcionar. É triste dizer, mas o estado precário das cozinhas se deve, na origem, ao mau uso, à falta de limpeza pelos usuários, ao roubo de peças, tais como torneiras e queimadores do fogão”, diz o texto. 

A instituição também afirmou ter instalado dispensadores de álcool em gel em locais estratégicos do Crusp e fornecido materiais de limpeza a todos os apartamentos, além de ter colocado à disposição a estrutura de três locais onde os alunos poderiam usar internet, como os institutos de Física, o de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas e o de Geociências. 

Mesmo assim, os alunos ainda reclamam da dificuldade em usar os locais porque há horas marcadas e necessidade de sair antes das 18 horas.

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