Estudo amplia prazo para uso de tratamento contra AVC

Medicação que intravenosa que ataca o coágulo traz bons resultados se aplicada até 4h30 após o ataque

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

25 de setembro de 2008 | 15h20

Uma medicação que, aplicada à corrente sanguínea, ajuda a dissolver o coágulo causador de acidente vascular cerebral (AVC), é útil se usada até quatro horas e meia após o surgimento dos sintomas, diz um estudo publicado na edição desta quinta-feira, 25, do New England Journal of Medicine (NEJM). Anteriormente, a eficácia dessa medicação, a alteplase, só estava cientificamente confirmada para até três horas após o AVC.   "É importante dizer que isso não significa que se pode esperar horas até tratar o paciente", adverte o neurologista Gabriel de Freitas, presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares. "Continua sendo importante tratar o mais rápido possível. O que acontece é que agora sabemos que o que antes era dado como perdido na verdade tem uma chance".   Freitas diz que o resultado do estudo é muito importante e representa "uma esperança" para médicos e pacientes, já que mais vítimas de AVC poderão se beneficiar do tratamento. Editorial que acompanha o artigo no NEJM diz que apenas 4% dos pacientes de derrame recebem a medicação. "Os pacientes estão chegando, mas nós, não", diz o texto, assinado pelo médico americano Patrick Lyden, do Departamento de Neurociências da Universidade ad Califórnia em San Diego.   O estudo, chamada Ecass 3 (sigla em inglês de Terceiro Estudo Colaborativo de Derrame Agudo) comparou os resultados de tratamentos aplicados a 821 pacientes, apresentados de três a 4h30 horas após o início dos sintomas. Parte dos pacientes recebeu o tratamento e parte, um placebo. Três meses depois, diz o trabalho, os pacientes que haviam recebido a alteplase mostravam-se em melhores condições que os que tinham recebido o placebo.   "O primeiro estudo a mostrar que a medicação funcionava era de 1995", diz Freitas. "Em 96 ela foi aprovada nos EUA e, em 2001, no Brasil. Agora, treze anos depois, aumenta em 50% a janela para sua aplicação". Ele explica que estudos realizados antes sugeriam, mas não demonstravam, que o tratamento poderia ser útil mesmo se iniciado após o período crítico de três horas.   Os resultados do Ecass 3 foram apresentados no Congresso Mundial de Derrame, realizado em Viena. Freitas afirma que, face ao estudo, as diretrizes internacionais - e brasileiras - para o uso  da medicação terão de ser alteradas, a fim de contemplar o prazo maior. "Será um processo rápido", acredita.

Tudo o que sabemos sobre:
avcecass 3derrame

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.