Estudo aponta queda em morte materna; grupo ligado à ONU discorda

Editor de revista científica diz que foi pressionado a adiar publicação, para não comprometer fundos

Associated Press

14 Abril 2010 | 17h30

O número de mulheres que morrem a cada ano no parto caiu dramaticamente em todo o mundo, informa uma publicação especializada britânica, acrescentando que foi pressionada a segurar a descoberta até depois de uma reunião da ONU sobre financiamento da saúde pública.

 

Outro relatório, de um grupo encabeçado pelas Nações Unidas, chegou a conclusões bem diferentes, afirmando que a taxa se mantém no nível de 500.000 mortes ao ano.

 

O desentendimento revela a política por trás da saúde pública, onde o progresso conquistado em uma área pode pôr em risco a obtenção de novos recursos. Autoridades preparam-se para requisitar bilhões de dólares em reuniões da ONU.

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, prepara-se para lançar uma iniciativa global de saúde reprodutiva, materna e neonatal.

 

A revista britânica Lancet publicou no domingo um estudo que mostra que o número de mulheres que morre na gravidez ou no parto caiu em mais de 35% nos últimos 28 anos.

 

Richard Horton, editor da revista, disse que se sentiu desapontado quando defensores da saúde da mulher foram pressioná-lo para adiar a publicação até setembro, depois de uma série de importantes reuniões de levantamento de fundos. Ele escreveu um comentário na Lancet sobre a pressão.

 

"Ativistas veem a queda na morte materna como uma diluição de sua mensagem", disse ele. "O ativismo pode, às vezes, atrapalhar a verdadeira ciência". Ele não mencionou nomes de pessoas ou grupos envolvidos na pressão.

 

No artigo, Christopher Murray e colegas no Instituto de Métricas de Saúde da Universidade de Washington determinaram que as mortes maternas caíram de cerca de 500.000 em 1980 para 343.000 em 2008. O estudo da Lancet baseia-se no maior volume de dados brutos já tornado disponível sobre o assunto, além de modelagem estatística, e foi financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates.

 

Foi uma descoberta surpreendente para especialistas que acreditavam que pouco progresso vinha sendo feito na área. Mas na terça-feira, outro levantamento, da Parceria para Saúde Materna e Neonatal, uma aliança internacional sob os auspícios da Organização Mundial da Saúde, foi publicado afirmando que o progresso em saúde materna "ficou para trás".

 

De acordo com a análise, de 350.000 a 500.000 mulheres ainda morrem, a cada ano, dando à luz.

 

Os autores não explicaram a fonte dos dados, ou o tipo de análise usado para chegar ao intervalo.

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