Estudo aponta relação entre bebês prematuros e autismo

Um quarto de bebês muito prematuros e de baixo peso seriam afetados.

Da BBC Brasil, BBC

07 de abril de 2008 | 19h20

Estudos preliminares feitos com bebês revelaram que 25% dos prematuros nascidos com peso muito pequeno têm maior probabilidade de apresentar sinais de autismo. O risco se mostrou maior entre meninos do que meninas.A pesquisa, feita por especialistas da McGill University, no Canadá, em parceria com dois hospitais de Boston, nos Estados Unidos, foi publicada na revista científica Pediatrics.A autora, Catherine Limperopoulos, enfatizou que nem todos os bebês prematuros correm risco de desenvolver autismo, já que o estudo se baseou em um grupo pequeno de crianças."É sabido que crianças extremamente prematuras apresentam maior incidência de problemas de aprendizado, déficit de atenção e problemas de comportamento", disse Limperopoulos."Nossos resultados indicam que testes para sinais de autismo deveriam ser aplicados nesse grupo", afirmou. "Caso o resultado seja positivo, testes específicos para toda a gama de manifestações do autismo deveriam ser feitos."O autismo é uma doença que afeta o desenvolvimento do cérebro, prejudicando a interação social e a comunicação do paciente e levando a comportamentos repetitivos.É a disfunção no desenvolvimento cerebral cuja incidência mais cresce no mundo, afetando uma em cada 150 crianças.A condição se manifesta antes de a criança chegar aos três anos de idade.O estudo acompanhou 91 crianças que nasceram entre sete e 14 semanas antes da média e com peso inferior a 1.500 gramas.Um teste que detecta os primeiros sinais de autismo foi aplicado em cada uma das crianças 22 meses após seu nascimento. Cerca de 25% delas - 23 crianças - apresentaram resultados positivos.O estudo apontou outros fatores associados a uma maior incidência de sinais de autismo, entre eles, infecções sofridas pela mãe durante a gestação e hemorragia aguda durante o parto.Os resultados positivos no teste de autismo foram mais prevalentes entre meninos, o que confirma estudos anteriores associando a condição ao sexo masculino.Os cientistas enfatizam que embora os resultados do estudo sejam importantes, estão baseados em um grupo muito pequeno de pessoas.Além disso, o teste aplicado nas crianças não faz o diagnóstico definitivo do autismo. Crianças cujo teste teve resultado positivo devem depois ser submetidas a outros exames para confirmar o diagnóstico."Este estudo foi feito em um grupo seleto, de alto risco, de crianças muito prematuras e de maneira alguma estamos sugerindo que todos os bebês prematuros corram risco de autismo", disse Limperopoulos."Não está claro se esses resultados iniciais são passageiros ou se vão persistir nas crianças à medida em que elas ficarem mais velhas", afirmou.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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