National Institutes of Health (NIH)
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Estudo aponta teste positivo para novo coronavírus após pacientes terem alta

Fenômeno foi reportado na China e também no Japão; há hipótese de que vírus persista no organismo

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2020 | 17h51

RIO - Quatro pessoas que já tinham sido consideradas curadas da infecção pelo novo coronavírus voltaram a testar positivo para a doença semanas após receberem alta hospitalar e serem liberadas da quarentena. A descoberta, publicada em artigo na “Journal of the Medical American Association” (Jama) na última quinta-feira, 27, levanta algumas hipóteses preocupantes sobre a doença. Elas envolvem a sua disseminação e tratamento.

O governo japonês reportou na semana passada que uma mulher em Osaka teria testado positivo pela segunda vez, semanas depois de ter se recuperado da infecção e ter recebido alta do hospital onde esteve internada.

Na China, epicentro da epidemia, quatro profissionais da área médica expostos ao vírus, que já tinham sido considerados curados, foram submetidos a um teste que detecta material genético viral. E voltaram a apresentar resultados positivos cinco a treze dias depois de não apresentarem mais sintomas.

Especialistas do Hospital Zhongnan, da Universidade de Wuhan, na China, responsáveis pelo estudo tentaram explicar os resultados de diferentes formas. Wuhan é a região chinesa que concentra a maior parte dos casos da epidemia. 

Uma das hipóteses considerou que o teste genético, o de PCR, é altamente sensível. Pode acusar a presença de material viral em apenas uma molécula. Ou seja, o teste poderia estar captando fragmentos remanescentes de vírus.

Outra possibilidade é que o teste cujo resultado deu negativo pode não ter sido feito de forma apropriada. As amostras podem, por exemplo, ter sido armazenadas em temperaturas sob as quais os vírus se deterioram. Ou a amostra para exame pode não ter sido colhida corretamente. Há, porém, uma hipótese mais preocupante. O novo coronavírus, raciocinam, provocaria uma infecção bifásica. O vírus persistiria no organismo. Após algum tempo, ressurgiria com sintomas diferentes.

No caso do Ebola, por exemplo, foi constatado que o vírus persiste por meses no organismo, com ressurgência nos olhos. Nesta fase, o vírus da febre hemorrágica é capaz de infectar outras pessoas, disseminando a epidemia.

A maior preocupação agora é determinar se, no período em que o paciente testa negativo para o vírus, ele seria capaz de transmitir a doença. Se confirmada, essa hipótese afetaria a disseminação da epidemia. Por enquanto, é impossível saber com certeza o que aconteceu. Até por que o vírus Covid-19 ainda é muito pouco conhecido.

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