Estudo da USP identifica linhagens dos primeiros dinossauros

Biólogo mapeou o parentesco e a ocorrência dos grandes répteis que habitaram a Terra

Agência USP

13 Setembro 2010 | 21h29

SÃO PAULO - Um estudo do biólogo Jonathas Bittencourt, da Faculdade de Filosofia, Ciências de Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da USP, mapeou o parentesco e a ocorrência dos primeiros dinossauros que habitaram a Terra.

Pequenos, com menos de dois metros de comprimento, e alimentando-se de pequenos animais, eles teriam surgido na região onde hoje se encontram Brasil e Argentina. A pesquisa também revelou que os silessaurídeos, antes considerados os primeiros dinossauros, não integram a mesma linhagem, apesar de possuírem alguns aspectos em comum, como a anatomia do quadril.

O trabalho procura entender as relações de parentesco entre os primeiros dinossauros que habitaram o planeta, há 220 milhões de anos, durante o período Triássico. “Por meio de uma metodologia conhecida como sistemática filogenética ou cladística, estudou-se a anatomia dos fósseis, e os animais mais semelhantes entre si foram agrupados em diferentes linhagens”, afirma Bittencourt. “As semelhanças e diferenças constituíram uma base de dados na qual foi aplicado um algoritmo para determinar a árvore de parentesco entre os grupos.”

A partir dos cálculos, verificou-se que os dinossauros mais antigos teriam surgido na região que hoje engloba a América do Sul. “Eram espécies relativamente pequenas, de um a dois metros de comprimento, diferentes de alguns dinossauros do período Cretáceo, que podiam chegar a mais de 20 metros de comprimento”, compara o biólogo. “Embora fósseis desses grupos mais antigos tenham sido encontrados na Índia e na África, os mais completos foram descobertos no Brasil e na Argentina.”

As análises demonstraram que a família dos silessaurídeos, composta por animais com características semelhantes aos dinossauros, como a anatomia das pernas e do quadril, não fazem parte da mesma linhagem. Os silessaurídeos eram herbívoros, e fósseis desse grupo foram encontrados na América do Sul, Europa, África e nos Estados Unidos.

Linhagens

Os dinossauros são divididos em duas linhagens, a dos saurísquios e a dos ornitísquios. “A partir dos saurísquios, teriam surgido as aves atuais”, diz o pesquisador. “As espécies mais antigas e primitivas ocorrem na América do Sul, principalmente no Brasil e na Argentina, como é o caso do estauricossauro.”

Os saurísquios eram em média animais pequenos - o maior exemplar, encontrado na Argentina, tinha cerca de 4 metros de comprimento. “Inicialmente, eles eram carnívoros, mas logo em seguida surgiu uma linhagem de animais herbívoros, registrada no Brasil”, acrescenta o biólogo.

O grupo dos ornitísquios, que inclui os grandes dinossauros com placas dorsais, como o anquilossauro e o estegossauro, não teve fósseis do período Triássico encontrados no Brasil. “Esse grupo se extinguiu totalmente, sem deixar descendentes nos tempos atuais”, afirma Bittencourt.

O biólogo observa que, apesar da pesquisa não ter se aprofundado no motivo de os dinossauros terem aumentado de tamanho, observou-se que os primeiros representantes do grupo ficaram grandes em um intervalo de tempo relativamente curto em termos geológicos.

“Em alguns milhões de anos, eles conseguiram habitar os ecossistemas e se tornar maiores, havendo registro, por exemplo, de exemplares com mais de cinco metros de comprimento ainda no Triássico”, conta. O trabalho teve orientação do professor Max Langer, da FFCLRP.

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