Estudo de brasileiros integra pesquisa sobre aglomerado de galáxias

Pesquisa divulgada pela ESO ajuda a entender a formação destas estruturas gigantescas e o papel da matéria escura no espaço

Tania Valeria Gomes, do estadão.com.br

22 Junho 2011 | 10h00

 

SÃO PAULO - Uma equipe internacional de cientistas, incluindo os brasileiros Eduardo Cypriano e Laerte Sodré Junior, conseguiu compreender parte do complexo processo de formação de agrupamentos de galáxias por meio de análise do aglomerado conhecido como Abell 2744, que ganhou o apelido de Aglomerado de Pandora.

 

No estudo, os cientistas utilizaram informações obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble, o Telescópio Subaru, pelo Observatório Espacial Chandra e do Very Large Telescope (VLT). Foi trabalhando com este último, no Chile, que o professor do Istituto de Astronomia, Geofísica e Ciência Atmosférica da USP, Eduardo Cypriano, desenvolveu seu trabalho de doutorado em 2004. Na ocasião, ele mediu a massa e observou sua distribuição em 24 aglomerados de galáxias, uma delas era o Abell 2744.

 

Estes dados foram importantes para o novo estudo, divulgado nesta terça-feira pela Organização Europeia para a Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul (ESO), e conduzidos por Julian Merten, da Universidade de Heidelberg (Alemanha), por Daniel Coe, do Instituto Científico do Telescópio Espacial, e mais um grupo de 16 pesquisadores.

 

"Foram feitas imagens mais profundas deste aglomerado (Abell 2744) usando o Hubble, então foi possível fazer um mapeamento da distribuição de massa de maneira muito precisa, mas a área observada foi muito pequena," explica Eduardo Cypriano. "Por isso ficou faltando elementos para entender o que aconteceu com o aglomerado. Como este grupo precisava de uma visão de maior escala, eles nos procuraram."

 

De acordo com o novo estudo, a estrutura analisada é formada por galáxias (5%), gás (20%) e matéria escura (75%). Os resultados desta pesquisa ajudam a entender como estes aglomerados se formam, como os diversos elementos do universo interagem e como a matéria escura influencia este processo, o que, por sua vez, ajuda a compreender este componente ainda tão obscuro da ciência.

 

De acordo com as observações, o Aglomerado de Pandora passou por um processo de formação que durou cerca de 350 milhões de anos e é o resultado da colisão de pelo menos quatro subestruturas, que seriam grupos de galáxias.

 

"Algumas destas subestruturas não estavam na área que o Hubble observou, então, para incluí-las no modelo deste aglomerado, foi necessário usar os nossos dados do VLT," diz Eduardo.

 

Estudo brasileiro

 

O aglomerado Abell 2744 foi apenas um dos 24 objetos analisados por Eduardo Cypriano para a tese de doutorado, que foi orientada pelo também professor da USP Laerte Sodré Júnior. Os profissionais divulgaram um artigo sobre as descobertas relativas à massa e a distribuição da mesma em um artigo intitulado "Distribuição de massa em 24 aglomerados de Abell ricos em raios X determinado pelo efeito fraco de lentes gravitacionais" (Weak-Lensing Mass Distributions for 24 X-Ray Abell Clusters).

 

Para esta pesquisa foi usada a técnica chamada lentes gravitacionais fracas, que permite estudar a distribuição da massa a partir da distorção provocada pela ação gravitacional na imagem de corpos cósmicos mais distantes.

 

Aqui, o aglomerado Abell 2744 chamou atenção porque demonstrou desequilíbrio no potencial gravitacional. "Ele apresentava várias evidência de que tinha passado por processos de fusão há pouco tempo," diz Eduardo explicando que todos os aglomerados se formam a partir de fusões. Este indício antecipou o estudo de Merten e dos demais cientistas de que esta estrutura em particular foi formada por meio de colisões de subestruturas.

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