Nasa/Divulgação
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Estudo descarta presença do oxigênio no núcleo externo da Terra

Identificação de elementos dessa região esclarece  fatos sobre a época adiantada da formação do planeta

Efe

24 de novembro de 2011 | 07h37

LONDRES - O oxigênio não é um componente significativo no núcleo externo da Terra, a camada líquida que cobre seu núcleo interno e central, segundo informa um estudo publicado nesta quarta-feira na revista britânica Nature.

 

Uma equipe de cientistas liderada por Yingwei Fei, do Carnegie Institution de Washington, chegou a esta conclusão depois de fazer experimentos geofísicos com materiais que poderiam estar nessa zona, como o sulfureto, o carbono e o próprio oxigênio.

 

Há muito tempo sabe-se que o núcleo externo da Terra (líquido) é formado, principalmente, por ferro, mas se suspeita que também exista em menores quantidades outros elementos mais leves que influenciam na geração do campo magnético terrestre.

 

A identificação desses elementos leves esclareceria fatos sobre a época adiantada de formação da Terra e sobre a composição do núcleo central terrestre (sólido), que continua sendo um mistério.

 

De acordo com a teoria proposta por Yingwei e sua equipe, que contou com a colaboração do especialista Haijun Huang, da Wuhan University of Technology na China, quando se diferenciaram os dois núcleos terrestres, pôde haver um ambiente "reduzido" e menos oxidado, o que indicaria um núcleo central em oxigênio.

 

Yingwei disse para a "Nature" que, depois de constatar em seus experimentos a ausência de oxigênio, os pesquisadores deveriam agora "se concentrar na potencial presença de elementos como o silicone no núcleo externo atual".

 

Dada a impossibilidade de chegar ao centro da Terra, os cientistas tiveram que utilizar técnicas de laboratório para poder comprovar quais elementos poderiam estar presentes na camada que cobre o núcleo central terrestre.

 

Os cientistas costumam obter detalhes sobre o funcionamento e a composição das camadas internas do planeta, como suas diferentes densidades e a velocidade à qual viaja o som, através de observações dos movimentos sísmicos, mas, para contrastar os dados, devem realizar experimentos com modelos simulados em laboratório.

 

Para realizar os experimentos deste estudo foram utilizadas ondas de choque sobre os materiais que poderiam estar no núcleo externo, como ligas de metais de ferro, sulfureto e oxigênio.

 

As ondas reduziram estes materiais a um estado líquido e então os especialistas mediram sua densidade e a velocidade à qual se transmitia o som sob condições comparáveis às do núcleo externo da Terra.

 

Os especialistas concluíram que o oxigênio não podia ser um componente significativo no núcleo externo, uma vez que os resultados obtidos no laboratório com os materiais ricos em oxigênio não coincidiam com os registrados nas observações sísmicas.

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