Estudo detecta depressão em crianças a partir dos 3 anos

Estudos anteriores indicaram que a depressão afeta cerca de 2% das crianças em idade pré-escolar dos EUA

Associated Press,

03 Agosto 2009 | 17h17

Depressão em crianças de 3 anos é real e não apenas um mau humor passageiro, afirma um novo estudo realizado nos Estados Unidos. O trabalho é apresentado como o primeiro a mostrar que a depressão pode ser crônica mesmo em crianças muito pequenas.

 

Até pouco tempo atrás, "as pessoas realmente não prestavam muita atenção nas desordens depressivas em crianças abaixo dos 6 anos", diz a principal autora do trabalho,  Joan Luby, psiquiatra da Universidade de Washington. "Não se pensava que pudesse acontecer... porque as crianças abaixo dos 6 anos seriam muito emocionalmente imaturas para experimentar (a depressão)".

 

Estudos anteriores indicaram que a depressão afeta cerca de 2% das crianças em idade pré-escolar dos Estados Unidos, ou cerca de 160 mil. Mas não estava claro se a depressão nessa faixa etária poderia ser um problema crônico.

 

A equipe de Joan acompanhou mais de 200 crianças, de 3 a 6 anos, por até 2 anos, incluindo 75 que haviam sido diagnosticadas com depressão grave. As crianças passaram por até quatro exames de saúde mental durante a duração do estudo.

 

Entre as crianças consideradas deprimidas no início do estudo, 64% ainda estavam deprimidas ou tiveram episódios recorrentes de depressão nos seis meses seguintes, e 40% ainda apresentavam dificuldades após dois anos. No geral, cerca de 20% mostraram depressão persistente ou recorrente em todos os quatro exames.

 

A depressão se mostrou mais comum em crianças cujas mães também eram deprimidas ou sofriam de outros distúrbios mentais, e entre as que haviam passado por um evento traumático, como a morte de um dos pais, violência ou abuso sexual.

 

O novo estudo, patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental do governo americano, foi divulgado nesta segunda-feira, 3, na edição de agosto do periódico  Archives of General Psychiatry. O trabalho não analisou tratamentos para depressão, um tema controverso quando o paciente é muito jovem.

 

Embora possa causar estranheza entre os leigos, a ideia de que crianças muito pequenas podem deprimir-se ganha aceitação na comunidade psiquiátrica.

 

A professora de Psiquiatria da Universidade de Chicago, Sharon Hirsch, disse que o público imagina as crianças em idade pré-escolar como perfeitamente tranquilas. "Elas ficam com as brincadeiras. Por que iriam se deprimir?", exemplifica.

 

Mas a depressão envolve mudanças químicas no cérebro que podem afetar até mesmo crianças que, de resto, têm vidas felizes, disse Sharon, que não participou do estudo.

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