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Estudo do Incor aponta que 66,3% dos paulistanos estão acima do peso ideal

Nutricionistas do programa Meu Prato Saudável ouviram 15 mil moradores de SP, que tiveram altura e peso medidos; obesidade atinge 28,9% das pessoas que participaram do

Fernanda Bassette - O Estado de S.Paulo,

10 de fevereiro de 2013 | 23h09

Levantamento realizado por nutricionistas do programa Meu Prato Saudável, coordenado pelo Instituto do Coração (InCor) e pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP, aponta que 66,3% dos 15 mil paulistanos entrevistados estão acima do peso: 28,9% estão obesos e 37,4% com sobrepeso.

Os dados foram coletados em mutirões da saúde promovidos em outubro do ano passado em estações do Metrô, no Parque Ibirapuera e no chamado Quadrilátero da Saúde, onde fica o complexo do HC. A amostra inclui a análise da altura e do peso dessas 15 mil pessoas para cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). Todos os participantes moram na cidade de São Paulo.

O sobrepeso é estabelecido quando o IMC fica entre 25 e 29,9. Quando o IMC passa de 30, a pessoa é considerada obesa.

Do total de pessoas avaliadas pelo programa, 19% tinham obesidade grau 1 (forma mais leve); 7,2%, obesidade grau 2; e 2,7% a grau 3 (obesidade mórbida). Os resultados chamam a atenção porque dados do Vigitel 2011 (pesquisa telefônica feita pelo Ministério da Saúde) apontavam que 15,8% dos brasileiros estão obesos e 48,5% com sobrepeso.

"O Vigitel é um inquérito populacional feito por telefone. A pessoa diz quanto mede e quanto pesa. E, quando a pessoa está acima do peso, a tendência é ela dizer que é um pouco mais alta e um pouco mais magra. Nessa pesquisa, todos os participantes foram pesados e medidos, resultando em uma amostra fiel", diz a nutricionista Lara Natacci, coordenadora do programa Meu Prato Saudável.

Os resultados surpreenderam o endocrinologista Márcio Mancini, responsável pelo grupo de obesidade do HC. "Esses dados mostram que a realidade sobre obesidade no Brasil está muito pior do que imaginamos", diz.

Para ele, a pesquisa reflete os maus hábitos da população. "As pessoas se alimentam mal, não fazem atividade física. Além disso, estamos em um centro urbano, e o ambiente também contribui para o aumento da obesidade", avalia Mancini.

Para o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), a retirada do mercado de algumas drogas para emagrecer, além da restrição do uso dos remédios que restaram podem ser fatores a mais para explicar tantos casos de obesidade na cidade de São Paulo.

"Acho que esse é um dado que não pode ser desconsiderado. Muitas pessoas com sobrepeso e tendência a engordar ficaram sem opção de tratamento. E o uso ou não de medicamento não faz parte do questionário da pesquisa", avalia Ribas Filho.

Segundo Ribas Filho, provavelmente essas pessoas estão com níveis de hipertensão, colesterol, triglicérides e glicemia alterados. "O porcentual de obesos no Brasil cresce, em média, 2,4 pontos porcentuais por ano. É muito rápido", diz.

Cartilhas. Segundo a coordenadora do programa, além da medição de peso e altura dos participantes, durante a pesquisa os nutricionistas distribuíram cartilhas com orientações sobre alimentação saudável e realizaram dinâmicas de montagem de prato com réplicas dos alimentos.

As pessoas "escolhiam" os alimentos que normalmente comem e montavam o prato. Com base nisso, as nutricionistas explicavam quais eram os "erros" e ensinavam a montar um prato saudável. "Criamos estratégias para fixar esse aprendizado, explicamos a importância da mastigação e de evitar o jejum prolongado. A ideia é estagnar o avanço da obesidade", diz Lara.

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