Wilson Dias
Wilson Dias

Estudo explica por que gripe suína vitimou crianças saudáveis

Infecção conjunta por bactéria resistente a antibióticos agrava quadro

Das agências de notícias,

07 de novembro de 2011 | 17h52

 Por que tantas crianças saudáveis morreram durante a pandemia da gripe suína em 2009? Um novo estudo mostra que a infecção simultânea pelo vírus H1N1 e pela bactéria MRSA, resistente a antibióticos, aumentou a mortalidade em oito vezes. Trata-se da maior pesquisa sobre o assunto, conduzida pelo Children´s Hospital Boston.

"Há mais risco de que a MRSA se torne invasiva na presença do vírus da gripe ou outros", dizem os autores. "As mortes dessas crianças com as duas infecções são um sinal de alerta", afirmam.

Os pesquisadores esperam que a descoberta, publicada na edição de novembro da Pediatrics, ajudem a promover a vacinação contra gripe nas crianças acima de seis meses. A vacina não é recomendada para os mais novos.

"O vírus de 2009 não mudou significativamente até hoje", nota Tim Uyeki, da Divisão de Influenza do National Center for Immunization and Respiratory Diseases, um dos principais autores do estudo.

Para chegar ao resultado, os cientistas investigaram 838 crianças durante a pandemia de 2009 a 2010. A idade média das gravemente doentes era seis anos. A maioria teve falência respiratória, dois terços precisaram ventilação mecânica e algumas, suporte avançado para funções cardíacas e respiratórias. A doença evoluiu rapidamente e 75 crianças (9%) morreram em duas semanas após a admissão no hospital.

Embora a maioria das gravemente doentes tivessem outras doenças crônicas que aumentaram o risco de morte, como asma, 30% delas eram saudáveis. Entre elas, o único fator de risco foi a infecção conjunta pela bactéria MRSA nos pulmões.

"Não é comum, nos Estados Unidos, uma criança saudável morrer de pneumonia. No entanto, essas crianças tiveram um tipo de pneumonia que matou grandes áreas de tecido no pulmão", explicam os autores.

Muitas delas receberam os antiviral apenas depois da internação. Para os autores, o tratamento precoce pode ajudar a salvar vidas, já que o remédio funciona melhor se  for administrado nos dois primeiros dias após o início dos sintomas.

Os autores recomendam que crianças com doenças sérias no trato respiratório inferior recebam rapidamente tratamento cm antivirais e antibióticos para bactérias como a MRSA mesmo antes da confirmação laboratorial da infecção. Como ainda não há vacina contra a bactéria, a vacinação contra a gripe é um dos meios de prevenir complicações.

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