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Estudo indica que exame de sangue pode revelar dano cerebral em recém-nascidos

Pesquisa ainda está em fase preliminar, mas indica que algumas alterações genéticas que geram danos cerebrais em bebês podem ser encontradas no sangue algumas horas após o nascimento

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2020 | 17h46

De acordo com um estudo em fase preliminar publicado nesta terça-feira, 4, na revista científica online Scientific Reports, do grupo da revista Nature, um novo exame de sangue pode identificar alterações genéticas que sinalizam danos cerebrais em recém-nascidos.

A pesquisa foi realizada com 45 bebês na Índia e o primeiro modelo do exame foi elaborado por pesquisadores do Imperial College de Londres e cientistas de universidades da Índia, da Itália e dos Estados Unidos.Todas as crianças testadas passaram por falta de oxigênio durante o parto, fenômeno que pode causar diversos problemas de saúde, como epilepsia, surdez, cegueira e paralisia cerebral.

Segundo os cientistas, esses problemas podem ser difíceis de se identificar de forma precoce, por mais que essa identificação seja essencial para tentar evitar distúrbios mais graves após a privação de oxigênio de bebês durante o parto. Por isso é importante identificar rapidamente quais são os bebês que precisam dessa assistência, o que, segundo os pesquisadores, ainda é difícil de se conseguir.

Crianças que desenvolvem problemas cerebrais têm expressão genética diferente

Os autores do estudo partiram da ideia de que mecanismos de outras doenças encontradas em crianças, como tuberculose pediátrica, sepse e Síndrome de Kawasaki, podem ser melhor entendidos a partir da análise da expressão, ou ativação, dos genes. Com isso, eles decidiram verificar amostras de sangue dos bebês em estudo retiradas até seis horas após o parto.

Os cientistas utilizaram sequenciamento de DNA de última geração para analisar as amostras e verificar se havia alguma diferença entre os genes “ativados” e “desativados” dos bebês que desenvolveram problemas neurológicos e os dos que não desenvolveram. Esse acompanhamento foi feito durante 18 meses, ou um ano e meio, para ver quais crianças apresentaram esses sintomas ou não.

No total, os pesquisadores descobriram que 855 genes tiveram expressão diferente entre os dois grupos de bebês, sendo que 523 estavam mais ativos e 332 estavam menos ativos que o comum nas crianças que desenvolveram problemas neurológicos. Dentre esses, dois se destacaram como os que mais se diferenciaram: o regulador da sinalização da proteína G (RGS1) e a manutenção estrutural da proteína 4 dos cromossomos (SMC4).

Os autores do estudo acreditam que essa descoberta pode ajudar a entender melhor os mecanismos das doenças que geram esses danos cerebrais e, assim, levar a possíveis novos tratamentos ou aprimorar os já existentes.

Segundo os cientistas, atualmente, as chamadas encefalopatias neonatais, ou doenças neurológicas em recém-nascidos, são a maior causa de morte e disfunções neurológicas em bebês e têm incidência de 2 a 3 a cada mil recém nascidos nos países ricos e de 10 a 20 bebês a cada mil em países pobres.

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