Michael Probst/AP
Michael Probst/AP

Estudo indica que intervalo de oito semanas entre doses da Pfizer melhora proteção contra a Delta

Pesquisadores britânicos ponderam que apesar de diminuir proteção a princípio, maior prazo entre aplicações é melhor para a memória imune dos anticorpos

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2021 | 05h00

Um maior intervalo entre as doses da vacina da Pfizer contra a covid-19 pode gerar um nível mais alto de anticorpos gerais, mas ainda assim há uma queda abrupta na proteção após a primeira aplicação. É o que aponta um estudo britânico divulgado nesta sexta-feira, 23, que pode ajudar nas estratégias de imunização contra a variante Delta do coronavírus.

Identificada originalmente na Índia, a Delta reduz a eficácia da primeira dose de vacinas contra a covid, mesmo que duas doses ainda criem proteção contra a cepa. 

"Para o maior intervalo entre as doses… Os níveis de anticorpos neutralizantes contra a variante Delta foram mal induzidos após a primeira aplicação, e não foram mantidos durante o intervalo entre as duas doses", afirmam os pesquisadores responsáveis pelo estudo, que é liderado pela Universidade de Oxford

Após as duas aplicações da vacina da Pfizer, eles dizem que os níveis de anticorpos neutralizantes eram "duas vezes mais altos após o intervalo mais longo, quando comparados com o intervalo mais curto". 

Os anticorpos neutralizantes parecem desempenhar um papel importante na imunidade contra o coronavírus, mas não são responsáveis pelo quadro geral, uma vez que as células T também são importantes nesse processo. 

O estudo apontou também que os níveis gerais de células T eram 1.6 vezes mais baixos com um intervalo maior entre as aplicações, quando comparados com o intervalo programado de três a quatro semanas. Ao mesmo tempo, havia uma proporção maior de células T "auxiliares" com o maior intervalo, que ajuda na memória imune a longo prazo.  

Os pesquisadores enfatizaram que tanto o intervalo curto quanto o longo produzem uma forte resposta de anticorpos e produção de células T, no estudo feito com 503 profissionais da saúde. Os resultados, publicados ainda como pré-print, apoiam a visão de que enquanto a segunda aplicação é necessária para produzir uma proteção completa contra a variante Delta, adiar a dose de reforço pode provocar uma imunidade mais duradoura, mesmo que o custo seja uma proteção menor a curto prazo. 

Em dezembro do ano passado, a Grã-Bretanha aumentou o intervalo entre as duas doses da Pfizer para 12 semanas, mesmo que a fabricante tenha alertado que ainda não havia evidência científica para apoiar o período além das três semanas indicadas na bula. Agora, o país recomenda que as aplicações sejam espaçadas em oito semanas para que a população tenha uma proteção maior e mais rápida contra a variante Delta, ao mesmo tempo em que potencializa a resposta imune a longo prazo. 

"Acho que o intervalo de oito semanas é o ponto ideal", afirmou Susanna Dunachie, uma das responsáveis pelo estudo, durante conversa com a imprensa. / AGÊNCIA EFE

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