Florida Atlantic University's College of Engineering and Computer Science
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Estudo indica que máscaras são mais eficientes que face shields na proteção contra o coronavírus

Simulações de espirro e tosse feitas em laboratório mostram que a face shield bloqueia inicialmente a projeção das secreções, mas as gotículas conseguem passar por baixo do visor com facilidade

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 05h00

RIO - Com a epidemia de covid-19 ainda avançando no País, a máscara se tornou cada vez mais aceita como uma forma eficaz de impedir a disseminação da doença, sobretudo se combinada com o distanciamento social e a lavagem frequente das mãos. Um número cada vez maior de pessoas, no entanto, vem preferindo usar as face shields (a proteção de plástico transparente para todo o rosto) e máscaras com válvulas que filtram a entrada do ar, por considerarem que elas seriam mais seguras e mais confortáveis que as tradicionais máscaras cirúrgicas ou mesmo de pano.

Um estudo publicado nesta terça-feira, 1º, na Física de Fluidos, no entanto, revelou que as máscaras tradicionais são mais eficientes. Simulações de espirro e tosse feitas em laboratório revelam que a face shield bloqueia inicialmente a projeção das secreções, mas as gotículas conseguem passar por baixo do visor com relativa facilidade e se espalhar por uma grande área.

As simulações feitas com uma máscara equipadas com válvula, por sua vez, revelaram que embora o mecanismo filtre o ar inalado, ela não filtra o exalado; ou seja, as gotículas de secreção passam direto para o ambiente. Isso torna a máscara ineficiente para bloquear a disseminação do vírus se a pessoa que está usando o acessório estiver infectada.

"Com a iminência da volta dos estudantes às escolas e universidades, muitos imaginaram que seria melhor usar as face shields, por serem mais confortáveis e mais fáceis de usar por longos períodos de tempo", afirmou o principal autor do estudo, Siddhartha Verma, do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Flórida Atlântico (FAU, na sigla em inglês). "Mas e se esses visores não forem tão eficientes? Ao longo do tempo, poderíamos estar acumulando gotículas de secreção no ambiente, que, potencialmente, podem levar à contaminação."

Os pesquisadores usaram uma cabeça de manequim para simular a tosse e o espirro. Uma secreção feita de água e glicerina foi expelida pela boca aberta do manequim e, com a ajuda de um laser especial, os cientistas conseguiram visualizar a dispersão do fluido ejetado. "Nosso foco foram as gotículas menores, porque elas podem ficar em suspensão por muito tempo e podem conter uma quantidade suficiente de partículas do vírus para transmitir a doença", explicou Verma.

A pesquisa sugere que para minimizar a disseminação da covid-19 é preferível usar as máscaras tradicionais de tecido ou cirúrgicas em vez das face shields ou máscaras com válvulas. "Mas mesmo a melhor máscara permite algum vazamento", alertou Verma. "Por isso é importante também manter o distanciamento físico."

A reitora da Faculdade de Engenharia e Ciências da Computação da FAU, Stella Batalama, afirmou sobre o trabalho: "Embora haja cada vez mais aceitação no uso de máscaras, há uma tendência crescente de substituir as máscaras tradicionais pelas face shields e pelas máscaras com válvulas. O trabalho apresenta evidências importantes para ajudar as pessoas a fazerem escolhas melhores para sua própria segurança e para a saúde pública".

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