Alex Silva/AE
Alex Silva/AE

Estudo 'inocenta' dieta da carne

Pesquisa diz que priorizar proteínas e gorduras não traz risco cardiovascular e acelera a perda de peso

Mariana Lenharo, Jornal da Tarde

02 Junho 2011 | 07h58

Por permitir o consumo de carnes e gorduras à vontade, a dieta de baixa ingestão de carboidratos é vista com restrição pelos cardiologistas, mas um estudo científico da Johns Hopkins University - que será apresentado amanhã em um congresso da Associação Americana de Medicina do Esporte - concluiu que esse tipo de dieta não oferece um risco maior para a saúde cardiovascular, pelo menos quando praticada por até três meses. Além disso, a estratégia acelera a perda de peso.

 

O estudo analisou 46 obesos que não tinham problemas cardiovasculares, com peso médio de 99 kg. Eles se submeteram a uma dieta acompanhada de exercícios físicos aeróbicos regulares e musculação. Metade aderiu à dieta de baixa ingestão de carboidratos e a outra parte fez uma dieta balanceada.

 

Depois de perder 4,5kg, o primeiro grupo não apresentou qualquer alteração cardiovascular em relação ao segundo grupo. Além disso, os que restringiram o consumo de carboidrato conseguiram perder peso em 45 dias, enquanto o outro grupo levou 70 dias.

 

"Nosso estudo deve ajudar a dissipar as dúvidas que muitas pessoas que precisam perder peso têm na hora de escolher uma dieta baixa em carboidrato em vez de uma baixa em gordura", diz o pesquisador Kerry Stewart, acrescentando que mais pessoas deveriam considerar esse tipo de dieta como uma boa opção, já que não impõe risco imediato à saúde cardiovascular.

 

A restrição aos carboidratos tornou-se conhecida nos anos 1960, com a ajuda do médico americano Robert Atkins - daí surgiu a famosa dieta de Atkins. Para os especialistas em perda de peso, contudo, a melhor maneira de emagrecer ainda é a dieta balanceada, com ingestão de 55% de carboidrato, 30% de gordura e 15% de proteína.

 

"É a dieta mais segura, mais fácil de seguir em longo prazo e cujo resultado tende a se manter por mais tempo", diz a nutricionista Mariana Del Bosco, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

 

O endocrinologista Durval Ribas Filho, da Associação Brasileira de Nutrologia, concorda: "Nada supera a dieta equilibrada, balanceada e hipocalórica, com consumo de 1, 2 mil a 1,5 mil calorias por dia".

 

O endocrinologista Ribas Filho explica que o consumo excessivo de proteína favorece a sobrecarga renal e a formação de cálculos, além de interferir no processo da aterosclerose. Outro aspecto observado é que nem toda gordura é vilã e que os danos ao coração dependem do tipo de gordura ingerida.

 

Uma das explicações para a perda de peso mais rápida com a dieta das proteínas é que, apesar de poder comer gordura à vontade, a pessoa tende a enjoar desse tipo de alimento após um tempo, reduzindo o número de calorias ingeridas.

 

O cardiologista Daniel Branco de Araújo, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, faz uma ressalva em relação ao estudo: o grupo analisado era de indivíduos saudáveis. "Pessoas que já tenham problemas cardiovasculares não devem fazer essa dieta de jeito nenhum", alerta.

 

Americano propõe alimentação do tempo das cavernas

 

O economista americano Arthur De Vany, autor do livro A nova dieta da evolução, lançado recentemente no Brasil pela Editora Larousse e que virou febre nos EUA, propõe que as pessoas se alimentem como na era paleolítica: além de ênfase na carne, propõe a ingestão de frutas, verduras e legumes.

 

A dieta das cavernas se assemelha àquelas que restringem os carboidratos (como a dieta de Atkins ou de South Beach), mas vai além: proíbe produtos industrializados e cereais. Além disso, contrariando recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda poucas refeições por dia e que, em cada uma delas, seja ingerida uma grande quantidade de calorias.

 

Para o autor, a genética humana está preparada para digerir alimentos consumidos há 40 mil anos e a ingestão de grãos e de industrializados seria o motivo de as pessoas adoecerem com tanta frequência.

 

lista ALERTA

 

link Dieta balanceada, com ingestão de 55% de carboidrato, 30% de gordura e 15% de proteína, é a melhor opção para redução de peso, segundo especialistas brasileiros

 

link Para perder peso, a alimentação deve ter entre 1,2 mil e 1,5 mil calorias por dia, segundo a Associação Brasileira de Nutrologia

 

link Pessoas que já apresentem problemas cardiovasculares não devem fazer a dieta da carne, segundo os médicos

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.