Estudo mostra proteína que reverte situações de estresse agudo

Pesquisa realizada em Israel mostra como o organismo humano reage em momentos de ansiedade

Agência Fapesp,

09 Fevereiro 2011 | 16h41

Apesar de a ansiedade ser uma sensação recorrente e algumas vezes até saudável, como em casos onde é preciso superar perigos e ameaças, a dificuldade em se "desligar" desse estado pode ser bastante prejudicial. O problema pode trazer distúrbios de ansiedade, estresse pós-traumático e depressão.

 

A pesquisa realizada por Alon Chen e colegas do Departamento de Neurobiologia do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, mostra como o organismo humano responde a estados de estresse agudo. O estudo foi dirigido a um grupo de proteínas que ajuda a regular o mecanismo do nervosismo - uma dessas moléculas, a CRF, é conhecida por iniciar uma sequência de eventos que ocorrem quando uma pessoa se sente pressionada.

 

A pesquisa identificou evidências de que três proteínas, denominadas urocortina 1, 2 e 3, atuam no desligamento da resposta ao estresse. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os pesquisadores geraram camundongos geneticamente modificados para que não produzissem as três urocortinas e usaram outro grupo controle, de animais normais.

 

Ao serem submetidos a situações estressantes, os dois grupos reagiram de modo semelhante. As diferenças foram percebidas 24 horas depois, quando o grupo controle havia voltado ao estado normal, mas o outro ainda estava com os mesmos níveis de ansiedade observados logo após o episódio estressante. Os cientistas verificaram que os níveis de expressão genéticos permaneceram constantes durante e após o estresse nos animais geneticamente modificados. Já no grupo de animais normais, os padrões se alteraram consideravelmente.

 

Segundo os cientistas, o motivo é que no primeiro grupo o sistema urocortina não pode ser ativado, impedindo os animais de retornarem ao estado normal. "Os resultados implicam que o sistema urocortina tem um papel central na regulação das respostas ao estresse. Isso poderá ter implicações para o estudo de distúrbios de ansiedade, depressão e anorexia", disse Chen.

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