Estudo mostra que 3% dos universitários que ingerem álcool têm alto risco de dependência

Pesquisa feita por instituições paulistas também revela que metade já usou alguma droga ilícita

Agência Brasil

06 de outubro de 2010 | 20h38

SÃO PAULO - Cerca de 300 jovens, professores e pesquisadores participaram nesta quarta-feira, 6, na capital paulista, de um seminário sobre o uso de drogas por estudantes universitários.

No evento, promovido pelo Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), foram apresentados e discutidos os dados do 1º Levantamento Nacional Sobre o Uso de Álcool, Tabaco e outras Drogas entre os alunos de universidades das 27 capitais.

O estudo foi produzido por universidades paulistas e financiado pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad), da Presidência da República. Os resultados foram divulgados pela primeira vez em junho e revelaram que metade dos alunos das universidades do País já usou, pelo menos uma vez, alguma droga ilícita.

Ainda segundo o levantamento, nove em cada dez universitários brasileiros já consumiu álcool, a droga mais comum para os mais de 17 mil estudantes entrevistados. Desses, 19% bebem frequentemente e apresentam risco moderado de dependência, e 3% têm alto risco de dependência.

“Esses jovens [com alto risco de dependência] precisam de uma intervenção médica já”, disse a professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Camila Magalhães Silveira, umas das responsáveis pela pesquisa e palestrante do evento.

O pesquisador da Faculdade de Medicina do ABC (UFABC) Arthur Guerra de Andrade, que também participou do estudo e esteve no seminário, afirmou que, em geral, a questão das universidades é grave. Segundo ele, os estudantes são os futuros líderes, mas podem não atingir seus objetivos por problemas causados pela bebida, o tabaco e outras drogas.

Apesar disso, poucas instituições de ensino investem no tratamento ou na orientação de seus alunos a respeito das drogas. Das 100 universidades do País incluídas no levantamento, apenas 28 mantêm programas para combate às drogas. “Essa questão deveria estar no projeto político-pedagógico de todas as universidades brasileiras”, avaliou Márcia Tamosauskas, da UFABC.

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