Estudo mostra que sobrevida de pacientes com aids dobrou

Aumento é atribuído ao acesso a medicamentos anti-retrovirais e ao acompanhamento dado a pacientes

Lígia Formenti, de O Estado de S. Paulo,

25 de novembro de 2008 | 11h17

A sobrevida de pacientes com aids dobrou entre 1995 e 2007, mostra estudo encomendado pelo Ministério da Saúde. O trabalho acompanhou 2 mil pacientes adultos que tiveram a doença diagnosticada entre 1998 e 1999 em 23 cidades do Sul e Sudeste do País. Passados 108 meses da confirmação da infecção, 60% estavam vivos. Um trabalho semelhante feito entre 1995 e 1996 apontava dados menos animadores. Na época, a média de sobrevida do paciente de aids era de 58 meses.   A sobrevida de menores de 13 anos também aumentou. Na década de 80, uma criança com aids tinha 25% de chances de estar viva 60 meses depois do diagnóstico da doença. Aquelas que tiveram a doença confirmada entre 1999 e 2002, a chance foi significativamente maior: 86,3%. Os números são resultado da análise de vários estudos desenvolvidos com 2,1 mil crianças de 26 Estados e Distrito Federal.   O aumento da sobrevida é atribuído ao acesso a medicamentos anti-retrovirais e ao acompanhamento dado a pacientes. Para a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariangela Simão, os dados de aids infantil indicam que a sobrevida pode aumentar ainda mais. Os dados foram apresentados nesta terça-feira, 25, em conjunto com o Boletim Epidemiológico de DST/Aids.   Taxa de incidência   O Boletim Epidemiológico mostra que a taxa de incidência (número de casos por 100 mil habitantes) da aids na população com mais de 50 anos dobrou entre 1996 e 2006. Passou de 7,5 casos por mil habitantes para 15,7. Diante destes números, o Programa de DST-Aids decidiu dedicar a campanha deste ano a esse público. O slogan será: "Sexo não tem idade. Proteção também não." A idéia é despertar a importância do uso de preservativo nas relações sexuais também entre idosos. A campanha será lançada dia 1º, quando se celebra o Dia Mundial de Luta Contra a Aids.   O boletim mostra que o País registrou ano passado 33.689 casos novos de aids. Apesar de o número ser um pouco inferior ao que havia sido contabilizado em 2006 (35.459 casos), a epidemia é considerada estabilizada no País. De acordo com boletim, a estimativa é que existam 630 mil pessoas portadoras de HIV.   A epidemia apresenta comportamentos distintos no País. Os números gerais mostram que, entre 2000 e 2006 houve um aumento da taxa de incidência da doença. Em 2000, a taxa brasileira era de 17,7 casos para cada 100 mil habitantes. Em 2006, o índice passou para 19 por 100 mil. Neste mesmo período, no Sudeste, houve uma discreta queda das taxas (de 24,4 para 22,5). Nas demais regiões, a incidência aumentou. No Centro-Oeste, passou de 13,9 para 17,1. No Nordeste, de 6,9 para 10,6 e no Norte, de 6,8 para 14. O Sul também apresentou incidência mais elevada: de 26,3 para 28,3.   A diferença entre casos de homens e mulheres com a doença continua a cair. A forma de transmissão predominante é por via heterossexual tanto entre o grupo masculino quanto do feminino. Entre homens, a segunda principal forma de transmissão é a homossexual e, entre as mulheres, a segunda forma de transmissão é por uso de drogas injetáveis.   O boletim deste ano também revela uma redução de casos de aids entre os que apresentam maior escolaridade. Em 1990, o grupo era responsável por 14% do total dos casos. Dezesseis anos depois, esse percentual caiu para 8,7%. Entre o grupo entre 8 e 11 anos de estudo, o índice subiu de 13,9% para 24,5% no mesmo período.

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