Estudo põe em dúvida benefício de antivirais para crianças

Medicação reduz duração da gripe em apenas um dia e restringe a transmissão da doença em 8%

Reuters,

10 Agosto 2009 | 11h45

Crianças não devem ser tratadas rotineiramente com drogas antivirais como o Tamiflu, já que não há evidência clara de que o medicamento traga benefícios, ele pode fazer mais mal que bem, dizem pesquisadores britânicos.

 

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Eles pedem que se repense o uso amplo de antivirais em menores de 12 anos, à luz de uma análise de dados clínicos de epidemias de gripe comum, que mostram poucos benefícios e efeitos colaterais possivelmente danosos.

 

Governos de todo o mundo montaram grandes estoques das drogas antivirais Tamiflu, da Roche, e Relenza, da GlaxoSmithKline, para enfrentar a epidemia atual de gripe suína. No Brasil, o protocolo adotado pelo governo recomenda o tratamento de crianças menores de 2 anos com o oseltamivir, o genérico do Tamiflu. Essa faixa etária é considerada de risco para complicações da nova gripe, causada pelo vírus H1N1.

 

No Reino Unido, centenas de milhares de doses de Tamiflu foram entregues a pessoas com a doença, metade das quais, aproximadamente, são crianças.

 

Mas Matthew Thompson, da Universidade de Oxford, disse que, embora os antivirais encurtem a duração da gripe em crianças em cerca de um dia, eles são reduziram ataques de asma ou a probabilidade de que as crianças viessem a requerer antibióticos.

 

O Tamiflu também foi ligado a um risco maior de vômitos, o que pode ser grave em crianças, pois causa desidratação.

 

A análise baseou-se em uma revisão sistemática de sete ensaios clínicos que observaram o uso de Tamiflu e Relenza em epidemias de gripe sazonal, ou comum, em 2.629 crianças com idade de 1 a 12 anos.

Thompson disse que não há motivo para que as conclusões também se apliquem à atual pandemia de H1N1.

 

"A estratégia de oferecer esse tratamento para uma infecção moderada é inadequada", disse a jornalistas outro pesquisador de Oxford, Carl Heneghan.

 

Os cientistas determinaram que é preciso tratar 13 pessoas para evitar um novo contágio, o que significa que o antiviral reduz a transmissão da doença em 8%.

 

"Enquanto a morbidade e a mortalidade da atual pandemia continuarem baixas, uma estratégia mais conservadora pode ser considerada prudente, dada a informação limitada, os efeitos colaterais como vômitos e o potencial de surgirem variedades de gripe resistentes", escreveram os pesquisadores no British Medical Journal.

 

A Roche informou que os efeitos colaterais do Tamiflu são conhecidos, mas que a droga já mostrou ser capaz de evitar infecções por gripe e reduzir tanto a severidade quanto a duração da doença.

 

"Em estudos clínicos de crianças tomando Tamiflu, os principais efeitos adversos foram náusea, 4%; dor abdominal, 1%; vômitos, 10%", acrescenta a empresa. Já os efeitos colaterais do Relenza, que é inalado, são dor de cabeça e náusea, diz a Glaxo.

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