Foto: SANDRO PEREIRA/FOTOARENA
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Estudo prevê novo pico da covid em Manaus: 'Naturalizaram a situação', alerta pesquisador

De acordo com estimativa da equipe, apenas a capital do Amazonas pode alcançar o número de 200 mil casos simultâneos da doença, caso seja mantida a reabertura

Alisson Castro, especial para O Estado

22 de junho de 2020 | 17h48

MANAUS - Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) alertam para risco de novo pico da contaminação pela covid-19 nos meses de julho ou agosto por causa, principalmente, da reabertura gradual do comércio em Manaus.  A equipe trabalha com elaboração de um estudo completo que deve ser divulgado nas próximas semanas.  

De acordo com estimativa da equipe, apenas a capital do Amazonas pode alcançar o número de 200 mil casos simultâneos da doença, caso seja mantida a reabertura. Ainda segundo os pesquisadores, a cidade pode registrar ainda mais 3 mil mortes causados pela covid-19 com a redução do distanciamento social. A equipe trabalha com elaboração de um estudo completo que deve ser divulgado na próxima semana.

Professor do Departamento de Matemática da Ufam e membro da equipe de pesquisadores que coordenou o estudo “Curva de Contaminação Covid-19 – Estado do Amazonas” , Wilhelm Alexander Steinmetz, alerta para a gravidade da situação.

“Todo dia temos centenas de novos casos. O número de óbitos está bem acima do normal, com cerca de dez óbitos por dia causado pela covid. Isto é preocupante. Dez óbitos por dia causado por uma doença, em tempos normais, seria razão para grande alarme, mas as pessoas naturalizaram esta situação”.

No domingo, 21, o Amazonas registrou mais 508 casos de covid-19, totalizando 63.410 casos confirmados do novo coronavírus no estado, segundo boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).

O boletim informa ainda que foram confirmados mais sete óbitos pela doença, dos quais três ocorridos entre sábado e domingo, todos de pacientes que estavam internados em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), e quatro que tiveram confirmação diagnóstica apenas no domingo, elevando para 2.657 o total de mortes. Dos 63.410 casos confirmados no Amazonas até o domingo, 25.103 são de Manaus (39,59%) e 38.307 do interior do estado (60,41%).

De acordo com o pesquisador da Ufam, a reabertura gradual do comércio é fator de preocupação. “A saída do distanciamento social ocorre de forma gradual. Temos uma parcela da população muito precavida, mas outra parte têm lotado o centro comercial. Quanto mais as pessoas saem do distanciamento social há mais risco de aumento da doença, segundo aponta nosso modelo de estudo”.

Ainda de acordo com Steinmetz, é importante a conscientização das pessoas. “Quanto mais o distanciamento social retrocede, aumenta as infecções e podemos perder o controle de novo”, frisou.

Cuidados

A Secretaria de Estado da Saúde (Susam) informou, por meio de nota, que o plano de retomada gradual de atividades econômicas em Manaus iniciado em 1º de junho foi definido a partir da avaliação de indicadores epidemiológicos e de assistência, como ocupação de leitos e óbitos por covid, que, segundo a secretaria, apresentam números decrescentes na capital do estado.

“Os indicadores continuam sendo monitorados pelo governo e vão indicar a possibilidade de avanço em cada ciclo de reabertura de atividades não essenciais. O governo mantém a oferta de testes e o trabalho de ampliação da estrutura de assistência, principalmente no interior do estado”, informou

A secretaria afirmou ainda que o plano também estabelece regras que deverão ser seguidas pelos estabelecimentos públicos e privados, incluindo medidas de distanciamento social: espaçamento de 1,5m entre pessoas, controle de aglomerações, entre outras; higiene pessoal: a exemplo do uso obrigatório de máscara, disponibilização de álcool gel 70% e desinfecção fora do estabelecimento; e sanitização de ambientes: como desinfecção de superfícies, reforço na limpeza e boa ventilação.

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