Estudo prevê que Ebola pode explodir na Libéria e matar 90 mil

Estudo prevê que Ebola pode explodir na Libéria e matar 90 mil

Cientistas utilizaram modelo matemático de transmissão viral, que foi aplicado ao condado de Montserrado, o mais populoso do país

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2014 | 23h45

A epidemia de Ebola pode explodir na Libéria, matando mais de 90 mil pessoas até o meio de dezembro, de acordo com um novo estudo publicado nesta quinta-feira, 23, na revista científica The Lancet Infectious Diseases.

Os cientistas utilizaram um modelo matemático de transmissão viral, que foi aplicado ao condado de Montserrado, o mais populoso da Libéria. De acordo com eles, a estratégia global para enfrentar a doença é inadequada e, se não houver implementação rápida de um conjunto de medidas, até 15 de dezembro cerca de 171 mil pessoas estarão infectadas - diagnosticadas ou não -, representando 12% da população local. Até esta data, pelo mesmo modelo, mais de 90 mil morrerão. 

O estudo foi realizado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale (Estados Unidos) e do Ministério da Saúde e Bem Estar Social da Libéria. "A estratégia global atual é inadequada para conter uma epidemia tão violenta quanto a Ebola" diz o co-autor do estudo e professor da Escola de Medicina de Yale, Frederick Altice. "No mínimo, os líderes devem construir o número suficiente de centro de tratamento de Ebola para evitar milhares de mortes desnecessárias", declarou. 

De acordo com outro autor do estudo, Alison Galvani, também professor de Yale, a previsão aponta que está se fechando rapidamente a janela de oportunidade para o controle da epidemia, antes que ela fuja completamente do controle. "Apesar de estarmos ainda no momento que pode ser visto como a fase inicial do surto atual, a possibilidade de evitar repercussões calamitosas está erodindo rapidamente", disse.

As medidas recomendadas pelos autores do estudo incluem a rápida adoção de mais unidades de tratamento da doença, aceleração na detecção da infecção e a distribuição de kits preventivos para os que aguardam internação. Se as medidas forem implementadas até o fim deste mês, segundo o artigo, estima-se que até 98 mil casos podem ser evitados. Se a iniciativa for adiada até 15 de novembro, o modelo prevê que será possível evitar cerca de 54 mil casos. 

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