Jonne Roriz/AE
Jonne Roriz/AE

Estudo prevê risco de novo tremor no Chile após tragédia de 2010

Sismo de 8,8 graus não soltou todas as tensões acumuladas ao longo de falha ao sul de Santiago

Reuters

30 Janeiro 2011 | 18h14

OSLO - Segundo um estudo publicado neste domingo, 30, pela revista Nature Geoscience, o risco de um novo terremoto no centro do Chile pode ter aumentado. O país já sofreu um tremor e tsunamis no ano passado, em cuja tragédia morreram mais de 500 pessoas.

De acordo com cientistas, o sismo de 8,8 graus na escala Richter que atingiu o país no dia 27 de fevereiro de 2010 não soltou todas as tensões acumuladas ao longo de uma falha ao sul de Santiago, que desde 1835 já originou seis tremores de terra (1835, 1928, 1939, 1960, 1985 e 2010) - o pior deles em 1960, em Valdívia (sul do Chile), com 9,5 graus, considerado o mais violento do mundo.

Um terremoto de grandes proporções tem magnitude entre 7 e 8 graus, causando graves danos em áreas enormes. O do ano passado no Chile foi o mais poderoso desde o tremor de 2004 que provocou um tsunami devastador no Oceano Índico.

"É impossível prever exatamente quando um novo sismo poderá acontecer", afirma Stefano Lorito, do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália. Ele liderou uma equipe de especialistas na Itália, nos Estados Unidos e na Irlanda do Norte.

Os cientistas examinaram dados de tsunamis, satélites e outras fontes para avaliar os riscos em uma área chamada de "Fenda de Darwin", na costa ao redor da cidade de Concepción, região central do Chile.

O naturalista britânico Charles Darwin, em uma viagem de cinco anos que o ajudou a compreender a evolução das espécies, documentou o terremoto de 1835 que atingiu uma área litorânea em torno de Concepción.

Os pesquisadores descobriram que uma placa continental sob o Oceano Pacífico desliza pela América do Sul a uma taxa de 6,8 cm por ano, de modo que já há uma falha de quase 12 metros desde 1835.

Quando a pressão cresce o suficiente, as placas se chocam e causam um terremoto. Algumas áreas bem profundas, ao norte de Concepción, deslizaram quase 20 metros com o tremor de 2010, mas a região da Fenda de Darwin mal se moveu.

Darwin fez observações detalhadas, desde sobre a destruição da catedral de Concepción até o apodrecimento de mexilhões encontrados em rochas levantadas pelo choque a 3 metros acima da marca da maré alta.

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