Estudo propõe uso de estatinas para diminuir riscos cardíacos

Médicos querem que droga contra colesterol seja receitada para pessoas sem alterações nos níveis do sangue

Efe,

10 de novembro de 2008 | 03h30

Estudo divulgado durante reunião da Associação Americana de Cardiologia colocou em discussão a possibilidade de expansão do uso das estatinas, drogas utilizadas contra colesterol alto, também para pessoas sem alterações nos níveis de gordura do sangue, mas que têm um outro tipo de problema, índices de CRP altos. CRP é a sigla em inglês para a proteína C-Reativa, substância indicadora de processos inflamatórios que estariam, segundo estudos, por trás de 50% dos enfartes e derrames, doenças que mais matam nos Estados Unidos - e no Brasil. No estudo, publicado em The New England Journal of Medicine, participaram 18.000 pacientes de 26 países, todos com bons níveis de colesterol. Os pacientes tinham em média níveis do colesterol LDL (Lipoproteína de Baixa Densidade), conhecido como "mau colesterol", de 108, e do colesterol HDL (Lipoproteínas de Alta Densidade), de 49. No entanto, tinham níveis elevados da proteína a proteína reativa CRP, cujos níveis elevados aumentam o risco de um ataque cardíaco. Segundo o estudo, dirigido pelo doutor Paul Ridker do Brigham and Women's Hospital em Boston (Massachusetts), nenhum dos pacientes tinha tomado estatinas anteriormente, e à metade foram dados estes fármacos e à outra metade um placebo. Passado um tempo, os pesquisadores verificaram que 44% dos pacientes que tinham consumido um fármaco para combater o colesterol tinham diminuído o risco de ataque cardíaco e derrame cerebral, frente aos que só tinham tomado o placebo. Nestes pacientes, o nível de "mau" colesterol foi reduzido em 50% e os da proteína CRP em 37%. Os cientistas dizem que somente agora se prescrevem estatinas às pessoas com níveis de colesterol alto, mas às pessoas saudáveis não podem ser comprovados os níveis de CRP já que não está muito claro a partir de que idade e com que freqüência deve ser analisado. Mas eles destacam que sua descoberta revela que este é um fator de risco nas doenças coronárias, o que abre novas vias de pesquisa.

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