Estudo relaciona analgésicos na gravidez à má qualidade do sêmen dos filhos

Foram analisadas 2.297 mães da Dinamarca e Finlândia; remédio causaria testículos não descidos

Reuters

08 Novembro 2010 | 19h52

LONDRES - O uso de analgésicos leves como paracetamol, aspirina e ibuprofeno durante a gravidez pode ser responsável por parte do aumento drástico de distúrbios reprodutivos registrado nas últimas décadas, revela um estudo divulgado nesta segunda-feira, 8, que analisou dois grupos de mulheres (834 da Dinamarca e 1.463 da Finlândia) consultadas sobre uso de medicamentos ao longo da gestação.

A pesquisa descobriu que mulheres que ingeriam uma combinação de mais de um analgésico leve tinham um risco maior de dar à luz filhos com os testículos não descidos (criptorquia). Os resultados foram publicados na revista Human Reproduction.

Sabe-se que essa condição é um fator de risco para a baixa qualidade do sêmen e o aumento do risco de câncer de testículos. O trabalho revelou também que o risco de criptorquismo nos bebês cresceu especialmente (até 16 vezes) no segundo trimestre de gravidez.

Os pesquisadores da Finlândia, Dinamarca e França disseram que novos estudos são fundamentais e aconselharam as futuras mães a reconsiderar a necessidade do uso de analgésicos. "No entanto, como biólogos, não é algo que possamos recomendar. Portanto, sugerimos que as mulheres busquem conselho médico", afirmou Henrik Leffers, do Rigshospitalet, em Copenhague, que dirigiu o trabalho.

De acordo com a equipe de Leffers, mais de metade das gestantes em países ocidentais relataram o consumo de analgésicos leves. A maioria dos médicos indica a interrupção desses medicamentos durante a gestação, embora o paracetamol, a aspirina e o ibuprofeno sejam considerados seguros para alguns casos e ocasiões.

Pesquisas em países desenvolvidos têm demonstrado que contagens de esperma diminuíram cerca de 50% na segunda metade do século passado.

Os bebês do sexo masculino foram examinados no nascimento se apresentavam algum sinal de criptorquia, desde uma forma leve da doença (em que os testículos estão localizados na parte alta do escroto) até a mais grave, (quando se situam no abdome).

O estudo foi respaldado pelo trabalho de cientistas na Dinamarca e na França, que estudaram ratas e descobriram que os analgésicos geravam uma provisão insuficiente de testosterona (hormônio masculino) durante um período crítico da gestação, quando os órgãos sexuais masculinos estão se formando.

Os pesquisadores indicaram que o efeito desses medicamentos nos roedores foi comparável aos provocados por doses semelhantes de ftalatos (grupo de compostos químicos usado na fabricação de plásticos como o PVC).

Os resultados do levantamento em humanos mostraram que as mulheres que consumiram mais de um analgésico simultaneamente tinham um risco sete vezes maior de dar à luz crianças com alguma forma de criptorquia.

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