Estudo relaciona El Niño ao aumento de guerras civis

Segundo pesquisa, ocorrência de fenômeno climático dobra a possibilidade de um conflito violento

estadão.com.br

24 de agosto de 2011 | 14h00

 

SÃO PAULO - Pesquisadores norte-americanos ligaram a ocorrência do fenômeno climático El Niño a aumentos nos conflitos civis nos 90 países afetados. A pesquisa da Universidade de Columbia, publicada na edição desta quarta-feira, 24, da revista Nature, é a primeira a ligar surtos de violência à mudança climática.

 

A relação pode ter grande impacto na gerência de conflitos, uma vez que o aquecimento global se agrava cada vez mais e pode agravar também a violência em algumas regiões do globo. No entanto, ainda é necessário compreender o exato mecanismo dessa correlação, uma vez que os cientistas ainda não sabem como o clima alimenta essas guerras.

 

Para determinar a correlação, os cientistas analisaram conflitos civis que mataram mais de 25 pessoas no período 1950 a 2004 em 175 países. Ao todo, foram avaliados 234 conflitos nos 90 países tropicais afetados pelo El Niño, fenômeno climático que a cada 3 ou 7 anos provoca o aumento das temperaturas e a diminuição nas chuvas. O cruzamento dos dados revelou que o El Niño pode ser ligado a 50 conflitos neste período.

 

 

Para esses 90 países, os cientistas descobriram que a chance de conflito dobrava durante a ocorrência do fenômeno climático. Enquanto durante a La Niña (fenômeno que se intercala com o El Niño e provoca a diminuição das temperaturas e aumento das chuvas) a possibilidade de um conflito violento era de 3%, após a chegada do El Niño essa possibilidade dobrava para 6%. Os países que não têm seu clima afetado permaneciam com uma probabilidade estável de 2%.

 

Ao todo, os pesquisadores determinaram que o El Niño teve influência em 21% das guerras civis de todo o mundo. Esse número sobre para 30% nos países afetados pelo fenômeno.

 

Segundo os pesquisadores, o estudo não "culpa" o El Niño por guerras específicas ou sustenta que apenas o clima influencie na violência, apenas estabelece uma correlação estatística entre a frequência desses conflitos e o aquecimento e as secas provocadas pelo fenômeno. Sua relevância vem do fato de analisar conflitos modernos em escala global, apresentando um padrão sistemático.

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