University of Michigan Health System/Divulgação
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Estudo revela como a fusão de duas proteínas provoca câncer

Processo faz com que células malignas cresçam, espalhem-se e resistam a tratamentos

estadão.com.br

27 Janeiro 2011 | 22h03

SÃO PAULO - O que acontece quando duas proteínas se juntam? Elas se tornam um "casal" de energia, onde o todo é maior que a soma das partes. A API2 e a MALT1 são proteínas que se fundem em um subgrupo de linfomas. A primeira se conecta com uma enzima chamada NIK. Quando isso acontece, a segunda aparece para matar, dividindo a NIK em duas, em um processo chamado de clivagem.

O resultado? A NIK fica mais forte do que nunca. O processo remove uma região de regulação da enzima que força a NIK a se autodestruir. Por conseguinte, ela atua como uma "traidora", fazendo com que células cancerosas cresçam, espalhem-se e resistam aos tratamentos tradicionais.

Esse fenômeno é objeto de estudo de pesquisadores do Centro Abrangente de Câncer da Universidade de Michigan, nos EUA, que será publicado na edição desta sexta-feira, 28, da revista Science.

Conduzido pelo casal de cientistas Lucas e Linda McAllister e pelo PhD Peter Lucas, o trabalho envolveu um esforço internacional que incluiu contribuições de laboratórios da Grã-Bretanha e da Bélgica.

A fusão das proteínas API2 e MALT1 aparece em 30% a 40% dos casos de um tipo de linfoma de células B, chamado de linfoma do tecido linfoide associado à mucosa (Malt). Esse processo nunca foi visto em nenhuma outra célula.

"A NIK é um centro crítico que tem sido relacionado a outros tumores de células B. A clivagem dela por essa fusão de oncoproteínas sugere uma nova maneira de ativá-la, e sustenta que ela representa um alvo potencial para o desenvolvimento de novas terapias", diz Lucas McAllister, professor adjunto de hematologia pediátrica e oncologia na Faculdade de Medicina de Michigan.

A fusão das proteínas também é um alvo potencial de tratamento. Nem a API2 nem a MALT1 sozinha pode causar um efeito cascata sobre a NIK. Isso só acontece quando as duas se unem, com a API2 proporcionando o acesso à MALT1 para causar a separação. Sem a fusão, a clivagem dessa enzima não aconteceria.

Linfomas Malt que carregam a proteína de fusão API2-MALT1 tendem a ser mais agressivos e resistentes a tratamentos. O resultado são tumores maiores e espalhados por todo o corpo.

Os pesquisadores descobriram que, uma vez que a NIK se torna estável, ela desencadeia uma série de reações que tornam as células mais propensas a metástases e mais resistentes aos tratamentos atuais.

Esses efeitos foram revertidos quando os cientistas "desligaram" a enzima, indicando que bloqueá-la ou impedi-la de se tornar estável poderia travar o crescimento e a propagação de tumores Malt.

Embora os inibidores de NIK estejam sendo investigados, essas terapias ainda não estão disponíveis.

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