Christian Hartmann/Reuters
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Estudo revela que 35% dos casos de demência são evitáveis

Relatório elaborado por comissão convocada pela revista Lancet mosta que controlar fatores como perda de audição, tabagismo, hipertensão e depressão pode evitar, em todo o mundo, um a cada três casos de Alzheimer e outras doenças degenerativas

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2017 | 15h23
Atualizado 20 Julho 2017 | 22h43

O controle ao longo da vida de fatores como a perda de audição, tabagismo, hipertensão e depressão poderia evitar um terço dos casos de demência no mundo, segundo um novo estudo publicado nesta quinta-feira, 20, na revista Lancet.

Além de revelar que um a cada três casos de demência é passível de prevenção, o estudo destaca também os efeitos benéficos de intervenções não farmacológicas como contato social e exercícios para pessoas com a doença degenerativa. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência.

O estudo foi feito pela Comissão de Prevenção e Assistência à Demência Lancet, que reuniu 24 especialistas internacionais para uma revisão sistemática da pesquisa existente, a fim de fornecer recomendações com base em evidências para o tratamento e prevenção. 

“Embora a demência seja diagnosticada na velhice, as mudanças no cérebro normalmente começam a ocorrer anos antes, associadas a fatores de risco para o desenvolvimento da doença ao longo de outras fases da vida”, disse a autora principal do estudo, Gill Livingston, do University College London (Reino Unido). 

“Acreditamos que uma abordagem de prevenção à demência com foco na mudança desses fatores de risco ajudará a evitar o número de casos da doença no mundo”, disse Gill. “Há um grande foco no desenvolvimento de medicamentos para evitar a demência, incluindo a doença de Alzheimer. Mas não podemos perder de vista os verdadeiros avanços que já alcançamos no tratamento da demência, incluindo as abordagens preventivas”, disse um dos membros, o psiquiatra Lon Schneider, da Universidade da Carolina do Sul (EUA).

Fatores de risco. A comissão identificou nove fatores de risco, em diferentes fases da vida, que elevam a probabilidade de desenvolver demência. Cerca de 35% dos casos foram atribuídos aos fatores de risco. 

Ter um bom nível de educação na juventude e cuidar da perda de audição, da hipertensão e da obesidade na vida adulta podem reduzir a incidência de demência em 20%, dizem os autores. Na velhice, parar de fumar, tratar da depressão, aumentar a atividade física, aprimorar o contato social e controlar a diabete poderia reduzir a incidência da demência em mais 15%.

Dos 35% de casos de demência que têm potencial para serem evitados, 8% poderiam ser eliminados com o acesso à boa educação até os 15 anos, 9% com o tratamento da perda auditiva entre os 45 e 65 anos e 5% com o abandono do hábito de fumar a partir dos 65 anos.

Deixar de completar a educação secundária aumenta o risco de demência por reduzir a reserva cognitiva, pois o fortalecimento das redes cerebrais faz com que o órgão siga funcional na velhice, reduzindo os danos causados pela doença. Preservar a audição na vida adulta mantém a pessoa em um ambiente mais enriquecido, permitindo construir reserva cognitiva que pode ser perdida com a doença, o que ocorre com outros fatores de risco como depressão e isolamento social. 

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