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Estudo revela que tratamentos contra prisão de ventre são seguros

Maioria dos laxantes é eficaz, e alguns podem ser tomados até por mulheres que amamentam

estadão.com.br

23 de agosto de 2010 | 19h03

SÃO PAULO - Um estudo clínico apoiado pelo laboratório alemão Boehringer Ingelheim atestou a eficácia do picossulfato de sódio no tratamento da constipação intestinal. Os resultados apontaram que o tempo médio de ação é de 6 a 12 horas, além da comprovada previsibilidade do efeito após a ingestão do medicamento. O levantamento mostrou que 90% dos pacientes ficaram satisfeitos com o resultado do tratamento.

A maioria dos laxantes é segura, segundo a pesquisa, alguns inclusive podem ser administrados em pacientes que amamentam. O estudo evidenciou que os níveis de medicamentos como bisacodil e picossulfato de sódio no leite materno são insignificantes.

A melhora com o uso do picossulfato de sódio foi avaliada tanto pelo aumento da frequência das evacuações, durante a semana de tratamento, como pela melhoria dos sintomas associados - gases, estufamento e desconforto abdominal. Outro ponto importante foi a observação de que o efeito terapêutico se prolongou por cerca de 4 semanas após a interrupção da medicação.

"Durante a gravidez, existem algumas restrições. É necessário salientar que o uso abusivo ou sem orientação médica pode provocar efeitos colaterais como desidratação, diarreia intensa e cólicas", afirma o gastroenterologista Décio Chinzon.

O índice revela uma condição mais comum entre mulheres de todas as idades, que se caracteriza pela diminuição do número de evacuações associada a um esforço físico para isso. "A constipação é um sintoma, não uma doença. É importante observar que a frequência normal de evacuações entre indivíduos saudáveis pode variar de duas ou três vezes por dia a três dias por semana", explica Chinzon.

Há diversos medicamentos disponíveis para cuidar da constipação, a escolha depende da consulta ao médico, do tipo de efeito desejado, do tempo de tratamento, do custo e da segurança com a utilização do remédio. Os medicamentos indicados por curto período, com ação rápida, são os osmóticos (lactulona e derivados, picossulfato de sódio ou bisacodil).

Pessoas que sofrem com intestino preso costumam se automedicar, já que os sintomas podem ser extremamente incômodos, embora, na maioria das vezes, não sejam graves. "Ainda assim, a constipação pode indicar uma doença grave subjacente, como um câncer, além de ser, em alguns casos, o único sintoma visível", alerta o especialista.

Causas mais comuns

- Dieta: Uma das principais causas da constipação pode ser uma dieta rica em gorduras animais (carnes, produtos lácteos e ovos) e açúcar refinado (sobremesas e outras guloseimas), além de pobre em fibras (legumes, frutas e cereais), especialmente fibra insolúvel, o que ajuda a mover o bolo fecal pelo intestino e promover evacuações;

- Síndrome do Intestino Irritável (SII): Algumas pessoas desenvolvem alterações do cólon ou do intestino grosso, que diminuem a velocidade com que o conteúdo do intestino se move no trato digestivo, levando à constipação;

- Hábitos intestinais errados: Uma pessoa pode iniciar um ciclo de constipação, ignorando o desejo de evacuar. Alguns fazem isso para evitar o uso de banheiros públicos ou porque estão ocupados demais. Após um tempo, por inibição do reflexo da evacuação, a pessoa pode deixar de sentir essa vontade, o que leva a uma constipação progressiva;

- Abuso de laxantes: As pessoas que habitualmente tomam laxantes sem orientação médica podem, ao longo do tempo, apresentar tolerância ao uso desses medicamentos;

- Viagem: É comum ter constipação intestinal ao viajar, o que pode ter a ver com as mudanças no estilo de vida, na rotina e na alimentação;

- Distúrbios hormonais: Alguns problemas, como o hipotireoidismo, podem produzir constipação;

- Gravidez: É outra causa comum, que pode ser atribuída às mudanças hormonais durante a gestação;

- Fissuras e hemorroidas: Condições dolorosas do ânus podem produzir um espasmo do músculo do esfíncter anal, o que pode retardar a evacuação;

- Doenças específicas: Problemas que afetam os tecidos do corpo, como esclerodermia (doença do tecido conectivo difuso caracterizada por mudanças na pele, copos sanguíneos, músculos esqueléticos e órgãos internos) e lúpus (doença inflamatória autoimune - que ataca as células e tecidos do próprio corpo), e algumas doenças neurológicas ou musculares, como esclerose múltipla, doença de Parkinson e acidente vascular cerebral, podem ser responsáveis pela prisão de ventre;

- Compressão mecânica: A inflamação em torno de divertículos e tumores pode produzir compressão mecânica do intestino, resultando em constipação;

- Dano nervoso: Lesões da medula espinhal e tumores que estão comprimindo a medula espinhal podem produzir constipação, atingindo os nervos que levam ao intestino;

- Medicamentos: Muitos remédios podem causar constipação, como analgésicos (especialmente narcóticos), antiácidos que contêm alumínio ou cálcio, antiespasmódicos, antidepressivos, tranquilizantes, suplementos de ferro, anticonvulsivantes para epilepsia, drogas antiparkinsonianas e bloqueadores dos canais de cálcio para a pressão alta e doenças cardíacas.

Dicas importantes

- Obedeça à vontade de evacuar. É comum um quadro de constipação em indivíduos que retardam a ida ao banheiro, já que o reflexo fica alterado;

- Procure manter uma alimentação adequada e melhorar o estilo de vida. Uma dieta bem equilibrada inclui alimentos ricos em fibras, como farelo de trigo, pão integral, frutas e legumes frescos;

- Beba bastante líquido e faça exercícios regularmente para estimular a atividade intestinal;

- Acima de tudo, entenda que eliminar a constipação é uma tarefa a ser feita com orientação médica. Remédios só podem ser prescritos por um profissional e é a única maneira de evitar problemas mais graves à saúde.

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