Estudo sugere ligação entre autismo e tempo chuvoso

Incidência cresce em regiões mais chuvosas; pesquisadores pedem mais estudos.

Da BBC Brasil, BBC

04 de novembro de 2008 | 08h42

Um estudo de pesquisadores americanos relaciona o aumento da incidência de autismo com os altos índices pluviométricos nos locais onde as crianças são criadas.A pesquisa, da Universidade de Cornell, comparou os índices pluviométricos entre os anos de 1987 e 1999 em três Estados da costa oeste americana - Oregon, Califórnia e Washington - com as taxas de autismo das crianças que cresceram neste período.Em um artigo na revista científica Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, eles observaram que a incidência da condição era maior entre as crianças que viveram seus três primeiros anos de vida nos Estados mais chuvosos.Entretanto, os cientistas foram cautelosos ao relacionar este fato à incidência de autismo, e pediram mais estudos para verificar ou descartar a hipótese.O aumento nas taxas de autismo - em determinados casos, de um caso em cada 2.500 pessoas para um em cada 150 - é normalmente atribuído à maior capacidade dos médicos de identificar a condição.Se existir, a relação entre o autismo e os índices pluviométricos pode ser explicada pelos efeitos químicos da chuva ou pelo tipo de criação que ela implica, especularam os cientistas.Segundo eles, a chuva pode afetar as substâncias químicas às quais as crianças são expostas. Além disso, a criação em ambientes fechados poderia afetar o desenvolvimento das crianças, seja pela maior exposição à TV e às substâncias químicas da casa, seja pela falta de vitamina D produzida pela exposição ao sol.O diretor da britânica National Autistic Society, Mark Lever, disse que a teoria se junta a outras que tentam explicar a condição e suas origens."Nos últimos anos o autismo foi relacionado a fatores tão diversos quanto pais em idade avançada, exposição precoce à TV, vacinas, alergias a determinados alimentos, intoxicação por metais pesados e tecnologia sem fio, só para citar algumas", ele afirmou."Algumas destas são pouco mais que conjecturas ou foram desacreditadas, e outras parecem promissoras e necessitam de mais estudos."De acordo com Mark Lever, "poucas foram comprovadas por estudos científicos mais aprofundados" e muitas famílias com membros afetados pelo autismo se confundem por conta dos "conflitos" entre elas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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