Estudo sugere que microcefalia pré-zika foi subnotificada

Casos da má-formação antes da chegada do vírus ao Brasil podem ter sido mais numerosos do que ocorrências registradas

O Estado de S. Paulo

15 Fevereiro 2016 | 21h25

Os casos de microcefalia ocorridos antes da chegada do vírus zika ao Brasil podem ter sido muito mais numerosos do que as ocorrências notificadas pelo Ministério da Saúde, de acordo com um estudo feito na Paraíba e publicado há 10 dias em um boletim da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

O estudo, feito ao longo de quatro anos por cientistas do Círculo do Coração de Pernambuco, em parceria com a Secretaria de Saúde da Paraíba, avaliou bases de dados oficiais com informações de mais de 100 mil bebês nascidos naquele Estado. No entanto, os registros de apenas 16 mil bebês incluíam dados sobre o peso e a circunferência do crânio - o principal indicador para a microcefalia. Os dados foram divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o estudo, coordenado por Sandra Mattos, a equipe esperava encontrar três ou quatro casos de microcefalia por ano, antes da chegada do vírus. Mas ao fazer uma revisão minuciosa da circunferência da cabeça dos bebês, descobriram que os números podem ser até mil vezes maiores.

Pelo estudo, até 8% dos bebês nascidos entre 2012 e 2015 se encaixavam nos critérios de diagnóstico de microcefalia. Projetando esse porcentual para todos os bebês nascidos na Paraíba, o estudo conclui que o Estado pode ter até 4 mil casos de microcefalia por ano. “Essas descobertas levantam questionamentos sobre diagnóstico e notificação”, diz o estudo.

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