Estudo vê benefício de longo prazo em droga psicodélica

Especialistas destacam que as pessoas não devem tomar a droga por conta própria, pois há riscos

Associated Press,

01 de julho de 2008 | 11h16

Em 2002, na Universidade Johns Hopkins, uma consultora de negócios chamada Dede Osborn tomou uma dose de droga psicodélica como parte de um programa de pesquisa científica. Ela se sentiu voando. Viu cores. E então, sentiu como se seu coração estivesse sendo arrancado.   Mas ela se refere à experiência como prazerosa, além de dolorosa, e diz que o que passou a ajuda até hoje.    "Sinto-me mais centrada em quem sou e no que faço", afirmou ela, que hoje tem 66 anos. "Não sinto mais as dúvidas que costumava ter. Sinto-me muito mais firme na realidade e que estamos todos conectados".   Cientistas informam nesta terça-feira, 1º, que quando entrevistaram os voluntários 14 meses após o consumo da droga, a maioria disse que continuava a se sentir e a se comportar melhor por causa da experiência. Dois terços disseram, ainda, que a droga lhes proporcionou uma das cinco experiências espirituais mais importantes de suas vidas.   A droga, psilocibina, é ilegal em boa parte do mundo, mas foi usada em cerimônias religiosas por séculos.   O estudo envolveu 36 homens e mulheres durante uma visita de oito horas ao laboratório. Foi um dos poucos estudos de um alucinógeno realizados nos últimos 40 anos, desde que a pesquisa científica do assunto praticamente cessou, depois da disseminação do uso abusivo e recreativo das substâncias, nos anos 60.   O projeto fez manchetes em 2006, quando pesquisadores publicaram o informe de como os voluntários se sentiam dois meses após a experiência com a droga. O novo estudo voltou a entrevistar os participantes um ano mais tarde.   Especialistas destacam que as pessoas não devem tomar psilocibina por conta própria, porque a droga pode fazer mal. Mesmo no ambiente controlado do laboratório, quase um terço dos participantes sentiu um forte temor sob os efeitos da droga. Sem supervisão adequada, pessoas poderiam se machucar.   Novas pesquisas talvez mostrem que a psilocibina pode ser útil no tratamento do alcoolismo e dependência química, além de ajudar pacientes terminais a enfrentar o sofrimento psicológico, diz o principal autor do estudo, Roland Griffiths.   Ele ressalta que, a despeito do caráter "espiritual" das experiências, o estudo não diz nada a respeito da existência de Deus. "Trata-se de Deus em uma pílula? De jeito nenhum". O trabalho está publicado na revista especializada Journal of Psychopharmacology.

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