Estudos apontam avanços no tratamento da diabete

Dois novos estudos publicados na revista britânica Nature Medicine aumentam a expectativa de que um dia células produtoras de insulina retiradas de porcos poderão ser usadas em transplantes para o tratamento da diabete tipo 1 em seres humanos. Segundo reportagem do jornal londrino The Times, os resultados mostram que ilhotas pancreáticas de leitões são capazes de reverter os efeitos da doença em macacos, sem efeitos colaterais significativos. Os experimentos, conduzidos por cientistas do Canadá e dos Estados Unidos, abrem caminho para testes clínicos em seres humanos. Os dois grupos esperam começar a recrutar pacientes dentro de três a cinco anos. Se os testes forem bem-sucedidos, milhões de pessoas com diabete poderão beneficiar-se do tratamento. A diabete tipo 1, especificamente, é uma doença auto-imune na qual o organismo destrói as células (ilhotas) produtoras de insulina do pâncreas, o que obriga o paciente a obter insulina por meio de injeções. Uma solução permanente, portanto, seria o transplante de células. Segundo o jornal inglês, os primeiros testes com transplante de ilhotas humanas foram realizados em 1977. Embora o procedimento tenha tido resultados encorajadores, suas perspectivas foram limitadas por uma aguda escassez de tecidos para transplantes, que tipicamente requerem ilhotas de dois pâncreas doados de cadáveres. "Para atender às necessidades de milhões de pessoas que sofrem de diabete tipo 1 precisamos encontrar novas fontes de doação, que permitam o transplante de ilhotas em larga escala para seres humanos", diz o pesquisador Christian Larsen, do Centro Nacional de Pesquisas com Primatas Yerkes e do Centro de Transplantes Emory, em Atlanta (EUA). Os porcos são vistos como potenciais doadores porque produzem uma forma de insulina muito semelhante à do homem. Há, porém, uma série de complicações relacionadas à rejeição e ao risco de transmissão de vírus do porco para o organismo humano. Os porcos têm vírus conhecidos como retrovírus endógenos suínos, que se inserem no código genético dos animais. Embora esse vírus não cause danos aos porcos, há temores de que ele possa desencadear doenças potencialmente perigosas em humanos. "Apesar de ainda haver muito trabalho a ser feito, esses estudos sugerem que a resposta de rejeição às ilhotas de porcos pode ser superada", afirma Larsen. Atualmente, segundo o Times, existe uma moratória ao xenotransplante (de uma espécie para outra) na Grã-Bretanha, mas experiências com seres humanos usando ilhotas de porcos têm sido realizadas no México. O estudo da Universidade de Emory e da Universidade de Alberta (Canadá) foi publicado na segunda-feira e outro, da Universidade de Minnesota, na semana passada, utilizando células de porcos adultos. Em ambos os testes, vários macacos que receberam os transplantes puderam ficar vários meses sem injeções de insulina - um deles, por quase um ano. "O próximo passo é provar que essas células de ilhotas suínas neonatais podem se tornar uma fonte para o transplante humano. Espera-se que, dentro dos próximos três a cinco anos, assim que comprovarmos a segurança, transplantes sejam feitos em pacientes", disse Ray Rajotte, professor de cirurgia da Universidade de Alberta. Se a técnica funcionar, os pacientes precisarão tomar drogas imunossupressoras para reduzir ao mínimo a possibilidade de rejeição das células suínas. Essas drogas têm efeitos colaterais, o que torna o transplante uma opção menos atraente para pacientes cuja diabete é bem controlada com injeções de insulina. Seria preciso definir qual opção ofereceria melhor qualidade de vida ao paciente.

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