Estudos associam dieta pobre a doenças mentais

Mudanças de dieta nos últimos 50 anos podem estar relacionadas ao aumento de doenças mentais, segundo dois estudos associados divulgados ontem na Grã-Bretanha. Para o grupo ativista Sustain e a Fundação de Saúde Mental, que realizaram as pesquisas, a forma com que os alimentos passaram a ser produzidos alterou o equilíbrio dos nutrientes mais importantes da dieta alimentar. ?A comida pode ter um efeito imediato e duradouro na saúde mental e no comportamento pela maneira como afeta a estrutura e a função do cérebro?, diz o relatório da Sustain. Segundo os estudos, os britânicos estão comendo 34% menos legumes e dois terços da quantidade de peixe que consumiam há 50 anos. Essas mudanças podem estar ligadas ao aumento de depressão, esquizofrenia, transtorno do déficit de atenção e mal de Alzheimer. Nutricionistas ouvidos pela BBC alertam que o estudo não é conclusivo. Equilíbrio alterado Intitulado ?Mudança de Dieta, Mudança nas Mentes?, o relatório da Sustain parte do princípio de que o equilíbrio de minerais, vitaminas e gorduras essenciais foi alterado nas últimas cinco décadas. Pesquisadores afirmam que a proliferação de fazendas de produção em larga escala e a introdução de pesticidas mudaram também a composição da gordura dos animais. Como exemplo, o texto diz que as galinhas alcançam o peso para o abate duas vezes mais cedo que há 30 anos. Com isso, a quantidade de gordura aumentou de 2% para 22%. Essa alteração da dieta teria sido responsável pelo desequilíbrio de ômega 3 e ômega 6 (ácidos graxos essenciais) nas galinhas. Gorduras saturadas Em contrapartida, gorduras saturadas, cujo consumo vem sendo ampliado pela ingestão de comida pronta congelada, deixam os processos cerebrais mais lentos. Andrew McCulloch, diretor-executivo da Fundação de Saúde Mental, afirma que as pessoas estão conscientes dos efeitos da dieta na nossa saúde, mas mal começaram a entender como o cérebro é influenciado pelos nutrientes. Ele afirma que o tratamento de doenças mentais a partir de mudanças na alimentação está mostrando melhores resultados em alguns casos do que drogas ou terapia. Rebecca Foster, nutricionista e cientista da Fundação Britânica de Nutrição, recebeu os resultados do estudo com ceticismo: ?A associação é difícil de pesquisar e subjetiva em muitos casos.? Para ela, ainda não é possível associar doenças mentais à alimentação. Mesmo assim, ressalta que os nutrientes recomendados no estudo são os mesmos necessários para manter uma vida saudável.

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