REUTERS/George Frey
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Sociedade de Infectologia orienta que hidroxicloroquina seja abandonada no tratamento da covid-19

A entidade diz que a substância não é eficaz nem na prevenção nem na cura da doença

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2020 | 18h29

SÃO PAULO - A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou nota nesta sexta-feira, 17, afirmando que dois estudos internacionais comprovaram que não há nenhum benefício clínico da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. No texto, a entidade diz que a substância não é eficaz nem na prevenção nem na cura da doença. O presidente Jair Bolsonaro, que afirmou ter diagnóstico do novo coronavírus na semana passada, disse estar tomando o remédio e defende o uso para pacientes com sintomas leves. O Ministério da Saúde também tem incentivado a administração do produto no tratamento precoce da doença. 

De acordo com a SBI, um dos estudos avaliou pacientes em 40 Estados americanos e três províncias do Canadá. O grupo que recebeu hidroxicloroquina, em comparação aos pacientes que receberam placebo, não teve redução nos sintomas. Mais da metade deles recebeu a substância um dia depois de sentir mal-estar. Cerca de 43% tiveram efeitos colaterais como dores abdominais, diarreia e vômitos.

Outro estudo, na Espanha, não detectou nenhum avanço clínico ou virológico entre aqueles que tomaram hidroxicloroquina e receberam placebo. A pesquisa foi realizada com 293 pacientes e publicada no periódico científico Clinical Infectious Diseases

"Com essas evidências científicas, a SBI acompanha a orientação que está sendo dada por todas as sociedades médicas científicas dos países desenvolvidos e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de que a hidroxicloroquina deve ser abandonada em qualquer fase do tratamento da covid-19", afirma o texto da SBI.

A entidade também pede que a cloroquina deixe de ser usada como tratamento da covid-19, que os órgãos públicos reavaliem orientações de uso de medicamentos comprovadamente sem efeito e que os recursos públicos sejam usados em anestésicos, bloqueadores neuromusculares e aparelhos para o tratamento da doença, em falta na rede pública. 

Órgão pediu investigação sobre produção de cloroquina no Brasil

O Ministério Público do Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu, em 18 de junho, abertura de investigação sobre possível superfaturamento na produção de cloroquina no Brasil, além da responsabilidade do presidente ao orientar aumento da produção. Bolsonaro também é alvo de representação à Procuradoria Geral da República (PGR). 

Nesta semana, o Estadão também mostrou que a campanha de Bolsonaro a favor da cloroquina ajudou a empurrar os negócios de cinco empresas autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a produzir o medicamento no País. Eles não informam quanto o faturamento aumentou, mas dados do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) mostram que o consumo de cloroquina pelos brasileiros cresceu 358% durante a pandemia.

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