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Antonio Lacerda/EFE
Antonio Lacerda/EFE

'Eu tive temor, sim. Mas enfrentei', diz juíza sobre tratamento de câncer durante a pandemia

Ana Maria Lammoglia Jabour foi submetida a uma cirurgia em março para retirada de um tumor na mama

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2021 | 15h00

Ana Maria Lammoglia Jabour, 58 anos, juíza, descobriu que deveria ser submetida a uma cirurgia para retirar um câncer de mama durante a pandemia. Embora tenha considerado os riscos de se infectar com o coronavírus, manteve o foco no restabelecimento de sua saúde e tomou todos os cuidados. 

A sra. fez uma cirurgia de mama agora, durante a pandemia. Teve algum temor?

Eu temi, mas eu enfrentei. Porque no momento em que eu tive o resultado do exame sobre uma lesão na mama, um carcinoma, eu imediatamente fui voltando ao médico, fazendo os exames necessários, e marquei a cirurgia o mais rápido possível na agenda do médico. Eu operei no dia 16 de março.

Quando a sra. ficou sabendo que teria de fazer o tratamento?

Eu não me lembro bem. Mas eu operei em 16 de março. Eu acredito que tenha sido uns dez dias antes. Foi o tempo de voltar ao médico, de ele me explicar o que era, e de fazer os exames pré-operatórios. Depois, foi só marcar.

Onde foi feita a cirurgia?

Eu sou de Juiz de Fora (MG). O dr. Alexandre (Ferreira de Oliveira) atende aqui. E eu fiz com ele. Acompanhada do meu mastologista, de quem eu gosto muito. Eles trabalharam juntos.

A sra. chegou a ter dúvida sobre fazer ou não o tratamento?

Eu tive temor, sim. Mas eu afastei, me enchi de coragem, de fé, e fui em frente. Minha irmã, que já teve covid, ficou no hospital comigo. Eu tenho duas irmãs e um irmão. Nós escolhemos aquela que já tinha tido a covid. Ela se prontificou a ficar. Eu operei no início da tarde, fiquei até o outro dia, quando eu tive alta. Fiquei 24 horas internada.

A sra. não teve covid nesses meses todos da pandemia, não é?

Não. Eu sempre tomei muito cuidado. Fiquei o ano todo trabalhando em casa.

Qual a mensagem que a sra. deixaria para as pessoas que estão adiando o tratamento?

Olha, nas doenças sérias, como a gente sabe que são as cardíacas, as oncológicas, eu acho que não tem outro jeito a não ser enfrentar. Eu tenho que ressaltar que, pelo que vi dentro do ambiente hospitalar, eu fiquei de máscara o tempo todo. Eu levei duas máscaras. Na sala do pré-cirúrgico, esperando, fiquei de máscara, tentando ficar calma, me tranquilizando. No momento em que ia começar a cirurgia, o anestesista falou: "Ana Maria, vou tirar sua máscara, deixar aqui do lado, e na hora que acordar, eu ponho de novo”. Ele foi muito cuidadoso comigo. E os médicos, dentro do centro cirúrgico, devem ser assim mesmo. Quando voltei, voltei de máscara, fiquei no quarto também de máscara. Na hora do curativo, tive muito cuidado. O quarto tinha janelas para abrir. Foi tudo feito com muito capricho. Queria ressaltar também que essa ala do hospital, que não é de covid, atualmente está muito vazia. Porque não têm sido feitas outras cirurgias eletivas. Então, eu me encontrei com muito poucas pessoas. O risco de infecção ali é até menor do que aqui fora, em supermercados etc.

E qual seria a sua mensagem?

É assim: tenham coragem. Porque se a pessoa tem uma doença que não pode perder tempo para o tratamento e tem chance de ficar curada, tem de ter coragem e, no momento em que entra no hospital, tomar todos os cuidados e não pensar na covid. Educar a cabeça para, neste momento, só pensar assim: eu tenho que fazer isso para restabelecer minha saúde. Eu fiquei 24 horas internada, a minha cirurgia, é bom lembrar, foi pequena. Não foi um corte muito grande. No caso de uma cirurgia maior, que tenha de ficar mais dias, a pessoa tem de enfrentar isso.

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