EUA advertem contra 'brincadeira do estrangulamento'

Cerca de 82 jovens morreram no país na brincadeira que impedem que o fluxo de sangue chegue à cabeça

Associated Press,

14 de fevereiro de 2008 | 18h13

Pelo menos 82 jovens morreram pela 'brincadeira de estrangulamento', de acordo com a primeira contagem do governo americano. Na brincadeira, as crianças usam coleiras de cães, cordas ou outros objetos amarrados a seus pescoços que possam impedir, temporariamente, que o fluxo de sangue chegue à cabeça.   O objetivo do jogo é sentir uma sensação de 'flutuar no espaço' quando o sangue volta a circular no cérebro. Cerca de 20% dos adolescentes e pré-adolescentes do país fazem a brincadeira, segundo estimativas baseadas num estudo local. Quase todas as mortes foram de jovens que brincaram do jogo sozinhos, de acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças americano (CDC). O centro iniciou a pesquisa após receber uma carta, no ano passado, de uma médica americana de Tacoma, em Washington, que dizia que seu filho de 13 anos havia sido morto pela brincadeira em 2005.   "Até aquele momento, eu nunca tinha ouvido nada sobre aquilo", afirmou a médica, Patricia Russell, que encontrou o filho morto, pendurado no closet. Depois de achar o corpo, ela descobriu que ele tinha falado com um amigo sobre o jogo. O CDC contabilizou os casos a partir de reportagens e informações de empresas de advocacia, ocorridos entre 1995 a 2007, totalizando 82 mortes de crianças e jovens de idade entre 6 a 19 anos. Não foram incluídos os casos em que não foi possível esclarecer se morte aconteceu pela brincadeira ou por suicídio.   Segundo o órgão, 90% dos jovens eram meninos, com uma idade média de 13 anos. Nove novos casos foram relatados às autoridades no ano passado.   Os autores da pesquisa afirmaram que a contagem de 82 casos está provavelmente abaixo da realidade, já que eles podem contar com os laudos de óbito que não diferenciam as morte pela brincadeira ou por outro tipo de estrangulamento não-intencional. Segundo Tom Andrew, médico de Nova Hampshire e estudioso do assunto, a cada ano há cerca de 100 mortes pela brincadeira nos Estados Unidos. O jogo, apelidado de 'choking game', também é conhecido entre as crianças por 'blackout', 'space monkey' e 'pass out'. Variações da brincadeira existem há décadas, mas a tendência de fazer o jogo sozinho começou a crescer recentemente, acrescentou Andrew.

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