Eric Gaillard/Reuters
Eric Gaillard/Reuters

EUA alertaram sobre próteses de silicone da marca francesa PIP em 2000

Em maio daquele ano, um investigador da FDA teria inspecionado a fábrica da empresa Poly Implant Prothèse e relatado que os implantes estavam 'adulterados', além de outras irregularidades

Reuters,

27 de dezembro de 2011 | 11h52

Desde 2000 as autoridades sanitárias dos EUA alertam para os riscos das próteses mamárias da marca francesa PIP, que levaram quase dez anos para serem investigadas na Europa e agora estão no centro de um escândalo mundial.

 

Em maio de 2000, a Administração de Alimentos e Drogas dos EUA (FDA) enviou um investigador para inspecionar a fábrica da empresa Poly Implant Prothèse (PIP) em La Seyne Sur Mer, no sul da França. Logo depois, a FDA enviou uma carta ao fundador da empresa, Jean-Claude Mas, alertando que os implantes estavam "adulterados" e citando pelo menos 11 irregularidades.

 

O problema tinha a ver com os implantes salinos, um produto diferente das próteses de silicone que o governo francês retirou do mercado em 2010 por conter silicone de uso industrial, em vez da versão médica. A PIP faliu depois disso.

 

Na semana passada, o governo da França orientou usuárias das próteses de silicone da PIP a retirarem-nas cirurgicamente, já que esses implantes apresentam risco elevado de se romperem. Grã-Bretanha, Brasil e outros países também recomendaram que as usuárias procurem seus médicos.

 

Embora o produto citado na carta da FDA fosse diferente, a fábrica inspecionada era a mesma que fazia as próteses de silicone.

 

Não se sabe por que o alerta norte-americano não levou as autoridades da França ou de outros países a prestarem mais atenção à PIP. O FDA e as autoridades reguladoras da saúde na França não explicaram na segunda-feira se o alerta de 2000 foi compartilhado entre os governos, embora a carta fosse pública já naquela época.

 

Até agora, não houve punições pela adulteração, mas fontes disseram que um tribunal de Marselha pode iniciar em breve processos por fraude contra quatro a seis ex-funcionários da PIP.

 

Além disso, a morte de uma mulher vítima de câncer, no ano passado, está sendo investigada na França como homicídio culposo. A mulher usava próteses PIP, mas não há provas de que os implantes adulterados elevem o risco de câncer.   

 

O advogado de Mas, Yves Haddad, disse à Reuters na segunda-feira que seu cliente, de 72 anos, está mal de saúde, sem conseguir andar por causa de uma cirurgia recente, mas tem condições de cumprir intimações judiciais. Ele negou que Mas esteja foragido, e reiterou que o cliente se encontra na região de Var, no sul da França.

 

Depois de conversar com o advogado, a Reuters tentou sem sucesso voltar a falar com ele para que comentasse a carta da FDA.

 

Estima-se que 300 mil mulheres no mundo todo usem as próteses de silicone PIP. Não foi possível verificar imediatamente a quantidade de mulheres que usam os implantes salinos.

 

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