EUA aprovam vacina contra câncer cervical

Um grupo de mulheres recebeu hoje a primeira vacina contra o câncer cervical, doença que mata centenas de milhares de mulheres e meninas a cada ano em todo o mundo. A Administração de Medicamentos e Alimentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou o uso da vacina, Gardasil, para o uso em meninas e mulheres entre 9 e 26 anos. O medicamento evita a infecção com quatro tipos do papiloma vírus humano, ou HPV, a doença sexualmente transmissível mais prevalecente. O Gardasil, manufaturado pela Merck and Co. Inc., protege contra os dois tipos de HPV responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer cervical. A vacina também bloqueia a infecção por dois outros tipos de vírus, responsáveis por 90% dos casos de verruga genital. Testes clínicos mostraram que o Gardasil evitou 100% dos cânceres cervicais relacionados às duas variantes do HPV em mulheres que não haviam sido previamente infectadas, divulgou a Merck. A companhia deve vender o Gardasil como vacina contra o câncer, e não contra DST. Ainda não está claro o quanto será popular o uso da série de três doses, em parte por causa de seu preço de tabela, de US$ 360. A oposição dos conservadores à obrigatoriedade da vacina para o ingresso na escola também pode frear sua adoção. A idade ideal para receber o Gardasil é baixa porque a vacina funciona melhor quando dada a garotas antes que elas comecem a ter relações sexuais e corram o risco de ter uma infecção pelo HPV. A vacina pode não proteger as pessoas já infectadas e pode aumentar o risco das portadoras do HPV virem a ter o tipo de lesão que pode levar ao câncer cervical, disse a FDA. Aprovação - O Comitê Consultivo em Práticas de Imunização dos Estados Unidos vai decidir, no dia 29 de junho, se aprova ou não a vacinação de rotina com o Gardasil. Essa aprovação é essencial na possibilidade de a vacina se tornar um padrão de tratamento. Depois disso, ficará a cargo dos Estados decidirem individualmente se adicionam ou não a vacina à lista de outras requeridas antes de as estudantes possam entrar em escolas públicas. Grupos conservadores como o Focus on the Family apóiam a disponibilização da vacina, mas se opõem à sua obrigatoriedade, dizendo que a decisão sobre a vacina deveria ser dos pais ou guardiães da criança. O grupo promove a abstinência como a melhor forma de evitar a infecção pelo HPV ou otras DSTs. O HPV afeta mais de 50% dos adultos sexualmente ativos, em algum momento de suas vidas. O câncer cervical pode causar a morte de cerca de 290 mil mulheres por ano, incluindo 3.700 nos Estados Unidos. Nesse país, a realização regular do Papanicolau detecta com freqüência lesões pré-cancerígenas, e o câncer em seus primeiros estágios. A vacina não elimina a necessidade de exames periódicos.

Agencia Estado,

08 de junho de 2006 | 18h19

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