EFE/Michael Reynolds
EFE/Michael Reynolds

EUA avaliam que impacto do zika será pior do que o esperado

Mosquito está presente em 30 Estados há possibilidade de centenas de milhares de pessoas serem infectadas em Porto Rico

Cláudia Trevisan, Correspondente

11 Abril 2016 | 20h59

WASHINGTON - O impacto do zika nos Estados Unidos é mais grave do que o esperado, com a presença do mosquito transmissor do vírus em 30 Estados do país e a possibilidade de centenas de milhares de pessoas serem infectadas no território de Porto Rico, avaliaram nesta segunda-feira, 11, dois especialistas do governo responsáveis pelo combate da doença. A estimativa inicial era a de que o Aedes aegypti estava presente em apenas 12 Estados do Sul.

“Tudo o que vemos em relação a esse vírus parece ser mais assustador do que pensávamos inicialmente”, disse Anne Schuchat, vice-diretora do Centro para Prevenção e Controle de Doenças (CDC), em entrevista na Casa Branca. A administração Barack Obama solicitou US$ 1,9 bilhão ao Congresso para uma série de ações de combate ao zika e o desenvolvimento de vacinas e medicamentos.

Diante da recusa dos parlamentares em aprovar o pedido, o governo anunciou na semana passada o redirecionamento de US$ 589 milhões que haviam sido destinados ao combate do Ebola.

O diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doença Infecciosas, Anthony Fauci, afirmou que os recursos são insuficientes para enfrentar o novo vírus, que deverá se espalhar mais rapidamente com a chegada do verão. “Eu não tenho o que eu preciso neste momento”, declarou Fauci na mesma entrevista na Casa Branca.

Segundo ele, se a solicitação de US$ 1,9 bilhão não for aprovada, o governo poderá ser obrigado a usar fundos que hoje são destinados à pesquisa de malária, tuberculose e ao desenvolvimento de uma vacina universal contra gripe.

Controlado pelo opositor Partido Republicano, o Congresso resiste em aprovar novos recursos enquanto o Executivo não gastar fundos excedentes que haviam sido destinados a outras emergências na área de saúde. “Tudo o que nós vemos é ruim”, ressaltou Fauci. “Cada semana, cada mês ele (o vírus) tende a nos surpreender. Não havia razão para pensarmos que seria tão ruim”, afirmou.

O zika é relacionado à microcefalia e a outros problemas neurológicos em bebês. Além disso, pode provocar a síndrome de Guillain-Barré, que leva à paralisia em adultos.

Apesar do tom das declarações de ambos, Anne disse não esperar grandes surtos da doença no território continental dos Estados Unidos. O principal foco do problema no momento está em Porto Rico, onde podem ocorrer “centenas de milhares de casos”, avaliaram. “Nós não podemos presumir que não teremos um grande problema”, ressaltou.

Anne manifestou preocupação com a possibilidade de americanos viajarem ao Brasil para a Olimpíada e voltarem para casa infectados pelo zika. “Nós queremos que as pessoas saibam que viajar para a região pode levar a infecções ‘silenciosas’ ou infecções com sintomas, e que é muito importante tomar precauções durante o sexo para que o vírus não se espalhe”, afirmou.

A Organização Panamericana de Saúde acredita que o zika contaminará pessoas em todo o continente Americano, com exceção do Chile e Canadá, onde o Aedes aegypti não está presente. Vários laboratórios trabalham no desenvolvimento de uma vacina contra o zika. Nesta segunda, Fauci estimou que os primeiros testes clínicos com uma delas poderão ter início em setembro.

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